sábado, 12 de dezembro de 2009

PARCERIAS!!!!

Sempre gosto (e acho necessário) falar sobre a importância de se ter parceiras/cumplices no trabalho com os bebês. Nesse ano de 2009 tive a oportunidade de criar uma "grupo de parceiras", o que chamamos de QUARTETO FANTÁSTICO! Eu e a Carol no turno da manhã e a Luíza e a Stéfane no turno da tarde. Parceiras nas opiniões, na organização da sala (tá bom...as vezes desorganização, rsrsrsrs), nas produções, nas ações com as crianças e suas famílias e nas "peleias" que volta e meia temos que abraçar!!!!! Vou sentir muitas saudades...
Ano que vem nova  aventura, novas e antigas parcerias...Por enquanto deixo aqui momentos nossos, marcas de dias maravilhosos e alegres...




Quarteto Fantástico na Festa de São João

Quarteto no Passeio Cíclistico


Numa saidinha à noite.....


Um quarteto que vai se tornando quinteto!
Colega Paty - futura nova parceira de Berçário!

Stéfane e Luísa!!!! Amo elas!!!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Há tempos me pedem "modelos" de pereceres ou as famosas avaliações.... Nunca pensei em postar porque não sigo modelos, escrevo sobre a criança baseada no que conversamos no conselho de classe, nas minhas anotações diárias e também utilizo muita bibliografia para justificar aos pais os acontecimentos da faixa etária em questão. Ou seja, me preocupo que se por acaso o alunos está mordendo os colegas e eu for colocar no parecer, também tenho que tentar justificar quais os motivos, o que a escola está fazendo e como a família também pode fazer.
Trago aqui um  parecer do Berçário 2 (1 ano a 2 anos) e prometo que logo posto um parecer de Berçário 1 (0 a 1 ano).

PARECER DESCRITIVO

De expressividade sem fim, L. transmite pela sinceridade do olhar tudo o que quer e o que não quer fazer! Prova disso é sua chegada na escola: um resmungo inconsolável e uma lágrima no rosto selam a separação que por algumas horas terá de sua mãe.
A calma da família nesse momento (e na sua adaptação também, já que essa foi super tranqüila), faz com que essa chegada “triste” logo se torne uma diversão responsável por muitas conquistas motoras e cognitivas.
Sua maior aquisição foi o aperfeiçoamento do seu caminhar, que agora está mais firme e desenvolto. L. (que no início do ano letivo ainda engatinhava) desloca-se para todos os cantos da sala e agora também da escola (às vezes depois do café ela vai parar na sala do vídeo!). Durante esse caminhar ela abaixa-se para pegar objetos com domínio e equilíbrio, carrega objetos na mão, corre quando vamos para o pátio ou para o refeitório demonstrando muita alegria em estar realizando esses novos movimentos.
Uma cena marcante na rotina da L., é ela ir se “aconchegar” no cantinho das almofadas. Fica lá deitadinha de bruços observando o movimento dos colegas pela sala. Nesses momentos também adora receber uma massagem das educadoras, ou um carinhos nos seus cachinhos!!!! Às vezes pensamos que está com sono, mas logo ela se levanta e já está interagindo pela sala!
Sua linguagem está em pleno desenvolvimento, e esta se dá principalmente pela imitação e observação direta do adulto. Fato que a faz imitar a fala das educadoras (as vezes saí com cada uma...), contar até 10 (trabalho da mamãe e do papai) e se usar das afirmações para se fazer respeitar pelos adultos (quando está cansada de algo repete “não, não” e quando aceita algo fala “sim” (na verdade “chim”).
O contínuo desenvolvimento oral é observado quando ela reconhece e repete os nomes dos colegas e reconhece as figuras que são colocadas propositalmente nas paredes da sala (muitas vezes a pegamos falando com as figuras!).
Nas atividades ocorridas em sala, L. tem se destacado por sua curiosidade, destreza de movimentos e atenção. Logo que é convidada a participar de algo, ela primeiro analisa a situação, dá uma observada nos colegas e rapidamente começa a interagir com o que está sendo proposto. Numa atividade com tinta guache, a intenção era de que as crianças pintassem utilizando as mãos e os dedos, mas L. foi além... Encontrou um pincel que a professora tinha utilizado para retirar a tinta do pote e não teve dúvidas em segura-lo e utilizá-lo na sua pintura.
Nas brincadeiras livres, delicia-se colocando, tirando, abrindo, fechando e explorando os objetos. Usa suas novas habilidades para pesquisar e explorar ativamente seu “mundinho”.
Nas atividades com bolas começa a recebê-la e devolvê-la, iniciando o jogo por imitação. O mesmo acontece nas atividades em que começa a erguer torres com caixinhas e potes, realizada primeiramente pelas educadoras. Nas atividades de encaixe se utiliza do sistema de tentativa e erro, permanecendo algum tempo envolvida num brincar mais solitário.
Nossa garotinha gosta muito da companhia das colegas, mas às vezes se sente “sufocada” com uma colega em especial. A B. te uma adoração pela L. (pelas suas roupas, bico, cabelos!), mas não consegue muito sucesso nas suas aproximações, pois L. quando enxerga a B. se aproximando já nos avisa “pofe, pofe” ou já ensaia um chorinho cansado. Mostra-se irritada e incorfomada nesses momentos buscando por outras atividades para se acalmar e “despistar” a coleguinha.
Quanto à alimentação, L. continua com um ótimo apetite, aceitando todos os alimentos oferecidos (adora frutas e saladas!) e repetindo a refeição. Se utiliza da colher para fazer suas refeições (ás vezes a mão dá uma forcinha!), utiliza o copo de forma muito autônoma.
Após o almoço, segue uma rotina de higiene e sono. Na hora de lavar as mãozinhas começa a fazer o movimento sozinha, sabendo da importância desse momento, porém quando temos que lavar seu rostinho é uma briga só! Na troca de fraldas, alterna momentos de tranqüilidade com momentos de desconforto, parecendo não gostar da troca (sensações que podem estar sendo causadas pelo frio, ou pelo sono). Para dormir não apresenta dificuldades, sendo motivada para esse momento com músicas calmas e suaves.
Continuamos contando com a parceria que a família tem com a escola, para que no próximo semestre possamos contar muitas outras conquistas da nossa L.!!!!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

UMA PAUSA PARA (RE) PENSAR:

NÃO SEI...



Não sei...
se a vida é curta...
Não sei...
Não sei...
se a vida é curta ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura... enquanto durar.


Cora Coralina

domingo, 6 de dezembro de 2009

PESSOAL!
RESOLVI COMEÇAR A PUBLICAR AQUI UM POUQUINHO DO MEU TRABALHO DE CONCLUSÃO. RETIREI ALGUMAS PARTES QUE SERÃO INSTRUMENTOS DE ALGUMAS REFLEXÕES. PEÇO QUE SE COPIAREM NÃO SE ESQUEÇAM DOS CRÉDITOS!!!!

MARISETE SCHMIDT




 INFÂNCIA , OU, POR ONDE ANDA ESSA CONSTRUÇÃO SOCIAL?


Saiba

Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também

Hitler, Bush e Saddan Hussein
Quem tem grana e quem não tem
Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
E também você e eu
Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar


(Trecho de uma música de Arnaldo
Antunes)

Arnaldo Antunes, através dessa canção, parece lembrar-nos disso: já fomos bebê, criança e já tivemos infância. Não iguais, mas com sabores inesquecíveis, para alguns doce, para outros amarga... Todos tivemos, muito lembramos e cada vez mais tentamos resgatar essas vivências para quem sabe entender as transformações vividas, para quem sabe questionarmos a humanidade, para trilhar outras possibilidades, para nos indignarmos, para gritarmos, para vermos novamente o verdadeiro ser criança, e esse, mesmo que na frente de toda a tecnologia, tenha o prazer de estar começando um pequeno mundinho, onde ele próprio faça suas indagações, que teste suas curiosidades e que descubra o seu espaço.
É impraticável falarmos sobre a infância e não nos arremessarmos ao nosso passado, sempre olhando com saudosismo essa fase que nem bem sabemos por que está tão mudada. A diferenciação entre as épocas faz com que não acreditemos que passar uma tarde jogando videogame seja brincar, sempre fazendo referência às antigas brincadeiras que tanto nos faziam feliz. Por já termos tido infância (mesmo que em outros tempos), acabamos comparando as nossas ações de quando éramos crianças, com as das crianças atuais.
De fato, ainda estamos muito enlaçados a uma visão de infância saudosista, o que é muito bom, mas penso que o seu desaparecimento, na verdade é uma adequação aos tempos em que vivemos. A infância na rua ou
no quintal de casa foi substituída pela infância em lugares coletivos, e esse, é o principal motivo de termos muito enfoque nessa questão atualmente. Temos que enxergar a infância, mesmo que ela tenha mudado suas características.
O questionamento a cerca da infância é fundamental para falarmos sobre a educação e cuidados dos pequenos em lugares coletivos. A visão histórica desse construto social perante a família, a sociedade e principalmente diante dos educadores da primeira infância, influencia todo esse fazer, que pode ser cheio de novidades, mas também com considerações ainda tão adultas, resultados de anos (posso dizer séculos?!) da não visão da criança como ser ativo, capaz de construir o seu conhecimento por meio de ações e interações com o meio que o cerca.
Em busca de respostas para essa nova visão de infância e de ser criança, encontramos algumas respostas em títulos de livros, que nos sugerem novas significações para o assunto: “Crianças, essas conhecidas tão desconhecidas”, “Infância Plural: crianças do nosso tempo”, “Criança pede respeito”, “O desaparecimento da infância”, ou ainda, “Com olhos de criança” e “Quando as crianças dizem: agora chega!”, isso para citar só os mais conhecidos dos professores que trabalham com os infantes.
Ao longo da nossa história temos os relatos das mais variadas infâncias, e nos livros acima citados encontramos estudos sobre a sua possível invenção, do seu esquecimento, do seu desaparecimento e do seu silenciamento. Bujes (2002) fala que essas características determinantes dependiam (e porque não dependem?) do tempo social, cronológico, geográfico.
A infância é um construto social, ou seja, ela sempre existiu, assim como as crianças, o que é diferente nessa existência são os contextos em que elas estão inseridas, a importância que lhes são dadas.
Corazza, de uma maneira bem divertida, relata a razão da infância ser uma construção social:


Até que um dia, faz mais ou menos uns 300 anos, as grandes deram de inventar um sujeito que chamaram de “Indivíduo”, para viver num período chamado “Modernidade”, que também estava sendo inventado. Este tal Indivíduo era um cara muito exibido, metido a besta, chato e irritante – “um mala-sem-alça”, como se diz hoje, e ainda sem rodinha, no meio da rua, de papelão e na chuva-, que começou a prestar atenção nas novas gentes. Não uma atenção desleixada e qualquer, mas uma atenção sem limites, que ambicionava darlhes uma “vida própria” (ele que criou essa expressão, com o sentido que queria), para fazê-las – como ele dizia- “existir” em separado das gentes grandes, em um mundo específico e autônomo, só delas! ( 2002, p. 32)

Explica-se desse modo o surgimento da infância que temos hoje, essa preocupação que se tem para com os pequeninos, e com tudo o que lhes pertence. E assim como no século XVII, em que as crianças eram adultos em miniatura, vemos novamente isso acontecer hoje com muitas crianças. As roupas são parecidas com as dos adultos (o mesmo modelo, cores, de repente com um pouco mais de brilho.), os sapatos (desde quando faz bem para os pés das crianças o uso de botas e sandálias altas?), os jogos e os entretenimentos
(celulares, MP3, MP4, DVD’S, CD’S) e quando nascem já tem um futuro estipulado (o que ele poderá ser quando crescer?). A infância passa a ser uma fase que deve ser ultrapassada, assim como a velhice é uma fase a ser alcançada. E esse ultrapassar, na verdade, é um vir a ser. São projeções adultas para o futuro da criança.