A palestra de abertura oferecida pela Secretaria de Educação desse ano teve como tema "Vida Cotidiana na escola: fazeres da docência", proferida pelo professor Altino José Martins Filho.
Algumas colegas pediram através do blog uma síntese da palestra e eu acabei demorando para fazer essa postagem, pensando nesses pedidos... Fiz muitas anotações nessa palestra, compartilho muito das idéias do professor e poderia estar colocando tópicos do que eu achei importante, porém essa seria minha visão. Explico: Passo por um momento de dúvidas e transpareci esse momento através do meu questionamento ao professor no final da palestra. Ao pensarmos na infância dentro da instituição infantil, ao pensarmos na criança como um outro diferente do adulto, ao pensarmos nas "minúcias" do dia dessa criança dentro da escola (ou não pensarmos...) como inserir toda essa complexidade numa tabela de planejamento?
O ano de 2010 foi para mim, um ano de romper com padrões, porém ainda não tinha em mãos argumentos para justificar minhas atitudes. Como planejar com as crianças? Como trazer justificativas para ações "rotineiras"? Onde deixar claro minhas intenções dentro da escola, com minhas crianças? Como "sofisticar" meu planejamento de maneira que ele não contenha apenas a atividade do dia (aquela que vai ter fotos em portifólios, que vai ser tema de projeto, que vai ser exposta em feiras de idéias?)....
E agora sim, nas palavras do professor Altino:
*"O que me mobiliza a uma luta constante do repensar a educação das crianças?"
*"Aprender o mundo!"
*"Rupturas de práticas estagnantes e adultocêntricas."
*"Uma prática sensível tem que ser inteligível."
*"Pensar nas minúcias do cotidiano"
*"Não deixar que sejamos engolidos pelo fazer-fazendo."
E daí me coloquei a pensar: Como recebo as crianças? Como brinco com as crianças? Como converso com as crianças? Como faço sua higiene? Como me aproximo delas para trocar um carinho, para acalentá-las, para limpar seu nariz, para levá-la para trocar as fraldas?
Percebi que não deveria somente pensar, deveria registrar, revalidar esses momentos.E sinceramente, penso que isso é o planejamento com as crianças, temos que compreeender o planejamento como nossas situações diárias (então se insere essas ações cotidianas e ações de brincadeiras, desafios planejados, etc).
Passei a pensar que se não justifico minhas ações estou reafirmando a invisibilidade do meu trabalho junto aos pequenos, confirmando que somente quansdo há atividades "mirabolantes", "chamativas" e devidamente "registradas" é que se está dando importância ao trabalho docente.
A partir da palestra de abertura e dos itens passados pelo professor (planejamento, avaliação e registro) passamos a ter um acompanhamento diário da turma de Berçário (cada educadora está fazendo o seu). Nesse acompanhamento o planejamento não está tabelado, mas de maneira descritiva, como formas de idéias, o registro está exposto o tempo todo, as relações teorias/prática aparecem através de pequenas citações, de fotos, imagens, poemas, enfim, uma criação um tanto quanto diferente, em construção, mas muito mais fiel ao trabalho que realizamos com os pequeninos. assim respondo um pedacinho do questionamento do Prof. Altino:
"Nossos pensamentos e reflexões tem nos ajudado a sofisticar o que fazemos com as crianças?"