quarta-feira, 2 de março de 2011

Educadoras  e crianças do B1 2010
Penso que agora acabei as postagens que tinha que fazer com referência ao ano de 2010! Foi um  ótimo ano, onde aprendi muito com as parceiras de trabalho, com as famílias e principalmente com os bebês.
Agora, estou trabalhando nos dois Berçários ( de manhã no Berçário 1 e a tarde no Berçário 2) e vou estar postando as aventuras dessas duas turminhas! 
Não esquecendo....

COMENTEM
Preciso compartilhar idéias, respirar outros ares, continuar acreditando na educação do possível!

Nosso encerramento de ano foi assim....

Há alguns anos fazemos uma festa de Natal com a apresentação dos alunos... Sempre pensamos muito bem o que vamos fazer com os Berçários, já que muitos choram.
A apresentação de 2010 superou todas as expectativas, já que os bebês curtiram pra valer aquele momento, parecia que eles já haviam estado naquele palco inúmeras vezes, tamanha familiaridade e espontaneidade deles...Tinha criança que não queria sair do palco depois que a música acabou!
Para prepará-los todos os dias durante o mês de novembro e dezembro escutávamos a música da apresentação, sempre dançando e brincando individualmente (mas sem aqueles fanatismos de ensaios e cobranças...argh), e o resultado mostro pra vocês através das fotos:
Bebês entrando no palco

Eles dançando e as educadoras em volta!

Todos curtindo!



A platéia! Famílias corujas!

E os livros?????

Olha o puxão de orelha que ganhei dias desses...
"Mari, como tu insere os livros, a literatura infantil para os bebês?"
Gente, não é que na correria do dia-a-dia quase não utilizavámos a leitura de livros para os bebês... Temos na sala muitos livros de tecido, de plástico, mas livro de "verdade" mesmo.... Ficamos devendo... Conversamos muito eu e minhas colegas, selecionamos alguns exemplares da biblioteca da escola e aí.... (Olhem as fotos!)






Ainda temos muito o que aprender...
Afinal o que vale mais: um livro todo "acabado" porque várias crianças o pegaram na mão, experimentaram suas histórias, imaginaram cenários e personagens, ou um livro novinho dentro de uma estante fechada somente ao alcance dos adultos?
ADIANTE!!!

E QUANDO ACONTECEM OS PRIMEIROS REGISTROS?


Olha o que os bebês descobriram numa manhã de brincadeiras no pátio:

    Assim, elas ficaram um tempão... ora riscando o chão com um galho seco, ora com as mãos...
Texturas
Sensações
Criatividade
Imaginação
Solução de Problemas
Interações/Relações
Encanto
     Tudo isso na pracinha de nossa escola: numa manhã ensolarada e agradável . Como é bom vê-los assim se desenvolvendo e nos surpreendendo! 





segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mais um pouquinho do meu TCC...
Não esqueçam: ao copiar mantenham os créditos!

 OS REGISTROS DE UM BERÇÁRIO: ENCONTRANDO O “CONCRETO” DAS ATIVIDADES
 
Até agora, falei sobre a visão que a maioria dos profissionais tem a cerca do trabalho com bebês. Sempre o que lemos sobre essa turma é fruto de pesquisa de pessoas que não atuam diretamente com elas. Nas amostras de trabalhos das turmas de educação infantil, dificilmente se percebe o que é realizado nessas classes, ficando claro o que quer dizer Tristão (2005) quando se refere a prática invisível. Logo me pergunto, porque deixá-la invisível? Como deixar marcada práticas de sucesso na educação infantil, em especial na faixa etária de 0 a 2 anos?
O planejamento é o começo da ação do professor, é através dele que começa a ser tecida toda uma rede de aprendizagens (e não falo para o aluno, mas sim para o professor). Redin (2007), quando fala sobre o planejamento, nos deixa claro que não podemos pensar na educação como algo espontaneísta, como se a criança aprendesse sozinha e nem podemos ter uma visão de ensino adultocêntrica, com ações determinantes no professor, logo nosso planejamento não pode recair nesses conceitos. Também não pode significar apenas o preenchimento de uma tabela ou listagem de atividades para todos os dias da semana. O planejamento deve ser, uma oportunidade para sonhar, para refletir, para pensar em ações prazerosas, para justificar nossas atitudes.
Ao planejarmos as diversas oportunidades de as crianças realizarem novas experiências levamos em conta,

[...] o que será experiência para cada uma delas? O que vai  
tocá-las? É importante para a criança ou é apenas uma
atividade planejada pela professora sem levar em conta os
interesses e os modos de pensar e agir dos pequenos? O que
se planeja está pautado nos jeitos de ser e de se expressar
daquelas crianças? Respeita os seus tempos? A proposta tem
 a intenção de ampliar e enriquecer o repertório cultural,
cinéstico, afetivo, relacional dos pequenos? (TRISTÃO, 2006, p. 52)

Na escola de minha atuação o planejamento é realizado uma vez por semana e faço-o juntamente com minha colega de turma. É claro que temos uma tabela para preencher (e professor vive sem ela?!), mas nossas ações começam a ser traçadas a partir do objetivo que pretendemos alcançar. No modelo de planejamento da min ha escola o meu objetivo delimita o meu tema (que poderia ser um projeto) e de acordo com as atividades que proponho sou levada a pensar em que habilidades meus alunos irão desenvolver. Essa tabela foi criada (trabalho da supervisão escolar) para que os profissionais pensassem o que estavam desenvolvendo nos alunos, já que o planejamento por muito tempo foi apenas um copia e cola de atividades de revistas, sem comprometimento com as reais necessidades de cada criança inserida no nosso contexto escolar.
Sinto necessário esclarecer que não cumpro à risca esse planejamento. Utilizo ele apenas como um apoio, sempre tentando realizar as atividades que estão ali propostas, porém as faço de acordo com o “clima” da sala. Muitas das atividades descritas são materiais que confeccionamos e que ficam ao alcance das crianças, no ambiente da sala de aula, em constante exploração. Portanto, atividade é o que não falta para os pequenos. Vale lembrar que nos planejamentos não estão programadas as rotinas, como se para essa faixa etária esses momentos também não fossem de inteiro aprendizado. E quando recordo esse fato, ganho mais um puxão de orelha, e dessa vez da minha própria pessoa! Ora o que estou fazendo que não tenho pensado e escrito sobre essas ações?
Se refletimos antes da atuação, também julgo importante a reflexão após a jornada de convívio com os infantes. E nesse registro o professor não precisa só contemplar a chamada “atividade do dia”, mas também seus pensamentos, suas descobertas, suas dificuldades, ou seja, o que realmente foi marcante.
Enquanto professora de Berçário transformei em hábito a prática do escrita reflexiva, contemplando junto com ela a fundamentação teórica e também registro fotográfico, mas saliento que essa não foi uma fácil tarefa e tão pouco ela partiu de mim. Com uma supervisão e uma orientação escolar atentas às suas profissionais,, partiu delas a “norma de se registrar o dia”, após meses de exercício (e falo exercício mesmo), chegamos a um modelo de registro onde descrevemos o que realizamos com a turma durante a semana.
Para a escola de minha atuação “registrar deve efetivamente fazer parte da constituição do processo de reflexão e da organização das ações no cotidiano
das instituições de educação infantil” (TRISTÃO, 2005, p. 54).
Antes de perceber as crianças da educação infantil, sempre ia com meu planejamento quase pronto, levando o que eu queria passar para eles, simplesmente “catava” algo diferente e levava para a sala. Nos registros fazia tópicos descrevendo o que havia acontecido durante o dia, no máximo escrevia como havia sido a recepção das crianças perante a atividade proposta, mas nunca a validade desta para elas. Assim, julgo a minha forma de registro atual
como o resultado de um planejamento estruturado a partir do que as crianças
me indicam (TRISTÃO, 2005, p. 54). Abaixo, um dos meus registros semanais:

Durante nossos planejamentos conversamos um pouco sobre
a evolução dos bebês dentro da sala do berçário e
começamos a focar mais as atividades no trabalho motor, pois
temos crianças que já engatinham e ficam em pé com apoio
(Raul, João, Andrey), os que ficam sentados (Marina, Mariany
e Yasmin), os que ainda não sustentam o corpo, precisando
assim de apoio na hora de sentar (Mateus, Talita, Nicole e
Pietro)
Nessa semana, usamos muito os pneus para possibilitar o
sentar principalmente para os bebês menores. Na verdade,
eles logo cansam e começam a chorar, mas muitas vezes
ficamos ao lado deles para que fiquem mais tempo em outra
posição que não deitados. Para colocar o Pietro no pneu é
uma ginástica, pois ele enrijece as pernas e quase não entra
no buraco, também não gosta de ficar de bruços no tapete de
E.V.A., mas até que brinca no cinturão sonoro, tendo um
grande prazer em mexer em todos os bichinhos, fazendo
muito barulho! A Nicole também tem gostado de observar os
brinquedos no cinturão e esse observar é tão rico que tivemos
que fazer um cinturão num dos berços, já que na hora das
refeições ela fica esperando sua vez para se alimentar e
enquanto isso fica brincando muito faceira.
O Mateus e a Talita ficaram doentes durante a semana
(estavam com febre e congestionados) e para não terem que
sair de casa tão cedo, já que está muito frio, vão ficar na casa
da avó na próxima semana.
Também tivemos o começo da gincana junina e a nossa
equipe (VERMELHA!!!) teve que desfilar para começar a
pontuar. Levamos os bebês para a área coberta dentro de um
dos berços que tinha roda. Todos estavam caracterizados com
a cor da equipe (todos os pais colaboraram! Bom sinal!), o
Andrey veio até com um chapéu do Inter...Eles adoraram!
A Mariany continua em adaptação porque chora muito,
principalmente quando vem à tarde, por isso mexemos no seu
horário, ficando das 10 h às 14 h, assim ela se alimenta e
dorme aqui na escola. A mãe tentou fazer uma “pressão” para
que ela ficasse mais tempo, mas eu salientei que ela só não
está adaptada ainda por causa do excesso de faltas, então ela
deveria cuidar para não quebrar novamente esse processo.
Vamos ver no que vai dar!!!
Vou ficando por aqui... (Diário de campo, 12/05/08 à 16/05/08.)


Esse registro semanal é realizado antes de começar a planejar a próxima semana, então serve como um termômetro, medindo a validade do que vem acontecendo em sala. Igualmente, o registro é um momento de reflexão da minha práxis, o lugar onde justifico as minhas intenções e mostro que nada é feito por fazer, cada ação tem por trás uma intencionalidade pautada nos interesses de cada bebê.
Essa reflexão acaba por ser um exercício de olhar e escuta. Devemos fazê-los (escutar e olhar) para além dos hábitos do fazer e do pensar, não o habitual, vamos reaprender! Se as crianças estão descobrindo o que vamos registrar? O que podemos perceber? O que nos contagia e encanta nas pluralidades de nossas crianças?
Ainda do meu diário, retiro um registro que poderia simplesmente ter sido esquecido, mas que foi significado de busca e de construção de material:


Há algumas semanas ganhamos da professora Luíza uma
caixa bem grande e tínhamos a idéia de fazer com ela um
trenzinho, mas queríamos pinta-lá antes, então deixamos ela
em pé ao lado do armário na sala do soninho. Qual não foi a
minha surpresa ao ver o João entrando na caixa e puxando as
abinhas para ficar ali escondidinho. Logo depois se ergueu e
ficou em pé dentro dela. Conversei com as gurias e pensamos
em colocar essa caixa na sal de atividades para que os bebês
pudessem entrar nela em pé e também fazerem jogos de
esconde-esconde, além de experimentarem o conceito de
espaço. A idéia foi aceita.
Por enquanto somente o João faz uso desse recurso, e os
outros ainda estão olhando com um ar meio desconfiado, mas
aposto que logo vão estar interagindo junto.[...] (Diário de
campo, 30/06/08 à 04/07/08)


Do mesmo modo Tristão (2005) também corrobora com a idéia de que o registro pode contribuir para as discussões com outras profissionais, tornando-se uma prática reflexiva da própria práxis, além disso, é uma maneira de contribuir não só para o planejamento das chamadas atividades, mas também no planejamento do tempo e do espaço que as crianças ocupam na escola.
Quando o professor reflete sua prática também percebe o aluno, conseguindo visualizar o seu desenvolvimento no decorrer do tempo em que ficam juntos, saber suas preferências, os motivos das suas atitudes, enfim entendê-los!


Será que preciso escrever algo???
Nossa Dudinha encontrou as meias do Rodrigo pela sala, reconheceu-as e logo foi até ele para colocá-las nos seus pés. 
Registro da parceria entre os bebês, do cuidado com o outro e com a vontade de estar e compartilhar boas experiências nesse espaço.


...Que no final do ano tudo fica desse jeito: a casinha fica com o telhado solto, e começa a se rasgar, o túnel  não aguenta porque além de passar por dentro (se a caixa não for muito alta) eles começam a querer subir nela, as caixas ficam mais amassadinhas... Enfim, nós desafiamos eles e eles nos desafiam!!! Que bom quando vemos o material tendo que ser reconstruído ou repensado, prova de que eles estaão explorando, descobrindo, testando os seus limites a as possibilidades de cada material disposto na sala.


     Penduramos uma mola-maluca no teto, de maneira que realmente ficasse de difícil acesso para os bebês, porém sempre que passávamos pela mola dávamos um impulso nela... Os bebês ficavam "maluquinhos", loucos para tê-la nas mãos!!! As imagens mostram um pouquinho desse momento:

terça-feira, 28 de dezembro de 2010


     Quando ganhamos esse ursão (Puff), pensei numa maneira de logo me "livrar" dele (rsrsrsrsrsrsr), pensando no espaço que ele ocuparia e ainda na inserção de um produto comercial (tá bom, as vezes as ideologias me perseguem! hehehehe), mas não é que os bebês adoraram!!!!!
     Lugar para sentar, escalar, dormir! Quando alguém procurava o ursão era porque o soninho estava batendo, ou então, precisava de um carinho.
     Já pararam pra pensar em quantos sinais os bebês nos dão? Só eles para tornar uma jornada de quase 12 horas diárias em momentos leves e descontraídos!!!!



     Acho que é o primeiro objeto que colocamos na sala do Berçário. Com um ganchinho penduramos um extensor no forro da sala e na sua ponta colocamos o bambolê, de maneira que ele toque o chão. 
     Quando são mais novinhos e começam a engatinhar, os bebês observam apenas o movimento, mas conforme crescem e começam a andar, os desafios vão aumentando.... Passam por dentro, colocam na cintura enfim... Trabalhamos noção de espaço, lateralidade, causa e efeito além de instigarmos a curiosidade dos pequenos. Ah, também vale o educador algumas vezes fazer o movimento de mexer no bambolê, brincar com ele, já que as crianças também aprendem por imitação.
Mais um brinquedo desafiador....



      A primeira intenção era somente desafiá-los a carregar essa bambona, já que eles adoram as garrafas PET e também os garrafões de água (5 litros). Colocamos alguns materiais dentro dela para que fizesse barulho e selamos com papel e durex largo. 
      No entanto, os bebês preferiram fazer de conta que a bambona era um rolo de espuma!! Adoram ficar se equilibrando, sentindo o movimento e a sensação. Um ótimo desafio!
UM ANO DE CONQUISTAS PARA A SALA DO BERÇÁRIO 1
      Só quem trabalha em escola pública sabe o quanto esperamos por melhorias na estrutura física das salas.... Sempre sofremos com a precariedade do espaço e com criatividade sempre driblamos o que nos incomodava. 
     Se no começo do ano as paredes estavavam precisando de uma pintura e se estavam com o reboco caindo, lá íamos nós pintar, passar massa corrida, lixar parede. E isso acontecia todo inicio de ano... Em 2010 foi diferente, resolvemos esperar pela prefeitura, mas..... esperamos sentadas. Mobilizadas com a escola fizemos os investimentos de verbas em reformas mais duráveis e aos poucos as salas da Raio de Sol foram ficando mais bonitas. O B1 já em 2009 foi contemplado com a troca de piso (antes parque de madeira e agora um piso vinílico), agora em 2010 ganhamos a reforam das paredes (com cerâmica por causa da umidade), uma boa pintura (claro que ainda fomos nós as educadoras que colocamos a mão na massa! Mas até que gostamos!) e ainda um "puxadinho"  na frente da sala para que os bebês tenham acesso à rua, sem ter que ficar tanto tempo dentro da sala. Terminamos o ano muito felizes!!!!!
ANTES
DEPOIS
Nosso puxadinho: aos poucos ele vai ficar lindo!
Agora no final do ano os bebês escolhiam se queriam ficar dentro ou fora da sala!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

JÁ VAMOS PARA O REFEITÓRIO!!!!

     No começo do ano fazemos nossas refeições dentro da sala do Berçário, por que nossos bebês são muito novinhos e ainda em adaptação. Mas depois de agosto começamos a ir até o refeitório! Aproveitamos que muitos já estão caminhando e assim conseguimos levá-los até lá com tranquilidade. Também passamos a deixá-los mais a vontade, segurar com mais autonomia a colher e experimentar de todas as formas a comida que está no prato (lembrando de que é muito importante as experimentações e sensações!).
     Quantas aprendizagens:
* autonomia
* pinça-fina, motricidade fina
* interação (convivem mais com as crianças das outras turmas)
* sensações (tem bebê que saí todo banhado de feijão e outros que mal sujam a boca)
* identidade (começam a demonstrar suas preferências)
* alimentação saudável!!!!
     Quanto à comida, nós educadoras do Berçário 1, temos como prática não misturar a comida no prato, deixando que a criança  (desde bebê!!!) possa conhecer os alimentos e saboreá-los separadamente. 
     Nossos bebês adoram pegar a carne e a salada na pontinha dos dedos!!! Uns amores...rsrsrsrsrsr

     Já ia esquecendo: Pensar sempre nesses momentos, torná-los não uma rotina massante. mas um momento prazeroso e também com desafios, oportunizando  novas experiências. Deixar que o bebê mostre onde está chegando (se quer comer sozinho, se quer um pouco mais de ajuda), estar atenta para todas as possibilidades desse momento. Os nossos bebês, por exemplo, adoram sair do refeitório caminhando ou engatinhando, gostam de entrar em contato com as outras crianças, e também adoram comer laranja após a refeição (seguindo o cardápio eles tomariam somente o suco da fruta, mas eles nos apontaram a vontade de também provar a laranja... e assim o fazem quase sempre...).

domingo, 31 de outubro de 2010

Momentos que me remetem à música/poesia...

"Todo ser seria
  Todo rio riria
  Toda flor folia
Abajour pra escuridão

Toda brincadeira começa com alegria
Mas o sino do almoço troca o riso por feijão

Quero mais careta no retrato
Quero mais folia no meu quarto
Quero mais careta no retrato
Quero mais folia no meu quarto"


 Trecho da música "Folia no meu quarto", 
de Fernando Anitelli e Nô Stopa 
(O Teatro Mágico)
Numa manhã ensolarada de inverno!!!       


OS DIREITOS DAS CRIANÇAS

Ruth Rocha

Toda criança do mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida
Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.
Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos tem de respeitar.
Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.
Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir...
Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.
Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.
Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!
Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!
Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.
Um passeio de canoa,
Pão lambuzado de mel,
Ficar um pouquinho à toa...
Contar estrelas no céu...
Ficar lendo revistinha,
Um amigo inteligente,
Pipa na ponta da linha,
Um bom dum cahorro-quente.
Festejar o aniversário,
Com bala, bolo e balão!
Brincar com muitos amigos,
Dar pulos no colchão.
Livros com muita figura,
Fazer viagem de trem,
Um pouquinho de aventura...
Alguém para querer bem...
Festinha de São João,
Com fogueira e com bombinha,
Pé-de-moleque e rojão,
Com quadrilha e bandeirinha.
Andar debaixo da chuva,
Ouvir música e dançar.
Ver carreiro de saúva,
Sentir o cheiro do mar.
Pisar descalça no barro,
Comer frutas no pomar,
Ver casa de joão-de-barro,
Noite de muito luar.
Ter tempo pra fazer nada,
Ter quem penteie os cabelos,
Ficar um tempo calada...
Falar pelos cotovelos.
E quando a noite chegar,
Um bom banho, bem quentinho,
Sensação de bem-estar...
De preferência um colinho.
Embora eu não seja rei,
Decreto, neste país,
Que toda, toda criança
Tem direito de ser feliz!

E quando a noite chegar,
Um bom banho, bem quentinho,
Sensação de bem-estar...
De preferência um colinho.
Uma caminha macia,
Uma canção de ninar,
Uma história bem bonita,
Então, dormir e sonhar...
Embora eu não seja rei,
Decreto, neste país,
Que toda, toda criança
Tem direito a ser feliz!