sexta-feira, 8 de julho de 2011

V SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO INFANTIL




 
“TEORIZANDO AS MINÚCIAS DO COTIDIANO NA EDUCAÇÃO INFANTIL!”

 

 
CRONOGRAMA

15/07/11
19h → credenciamento
RELATOS DE EXPERIÊNCIAS
1)Roda de conversas – Profª Amábile e Natálie
2)“Tempo de dar colo,tempo de decolar” (re)pensando as práticas,brinquedos e brincadeiras com as turmas de berçário - Profª Marisete e Luisa
 
16/07/11
08h → credenciamento/abertura
AFRICANIDADES NO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Ministrante: Tanise Müller Ramos
13h - "A CRIANÇA DE 0 A 5 ANOS - SUGESTÕES DE MANEJO, JOGOS E ATIVIDADES PARA ESTIMULAR A LINGUAGEM - PARTE II" 
Ministrante: Marilene Costa de Castro

Local: Câmara de Vereadores de Esteio
Inscricões: 3473-2121
Carga Horária: 15 horas
 

domingo, 19 de junho de 2011

FINAL DE GREVE

"Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção" 
                         Geraldo Vandré

     Desde quarta-feira quando escrevi o último post referente à GREVE em Esteio, sentei várias vezes na frente do computador para responder a todos que deixavam seus comentários...Escrevia e apagava....Escrevia e apagava... Nessas horas recebia sábios conselhos: "não responde, você lançou o desabafo tem que respeitar as diversas opiniões, mesmo que não concorde". E assim fiquei, uma expectatora do impacto das minhas palavras.       
     Sempre que tinha a oportunidade gerenciava o blog, lendo os novos comentários e contando os visitantes... Muitas vezes as palavras fortes me martelavam na cabeça. Dificil recebermos criticas, ainda mais quando temos a plena convicção que estamos certas, que estamos na luta por um ideal, fazendo a história ser diferente. Também me perguntei (enquanto apitava na frente da prefeitura, enquanto cantava palavras de ordem pelas ruas da cidade, enquanto segurava cartazes fazendo um apelo para a nossa atual administração) o que me fazia seguir um movimento que não sabia onde terminaria, o que me constituia enquanto  cidadã descontente mas não acomodada? E daí muitas recordações: passeata Fora Collor, protesto pela falta de professores e pelos baixos salários dos mesmos desde minha 8ª série até o final do meu curso Normal... Assim, enquanto eu aderia à Greve, enquanto caminhava pelas ruas da cidade alertando a população sobre o que acontecia na nossa administração, enquanto refletia sobre os rumos do movimento, em nenhum momento esquecia dos MEUS ALUNOS, ao contrário, estava ali por eles...
     Fiquei feliz com algumas reflexões perante alguns comentários (tanto aqui pelo blog, quanto nas ruas de Esteio durante o movimento de Greve):
* Meu trabalho não é uma obrigação! Já pensaram numa pessoa ser obrigada a ficar numa sala com 16 crianças durante o dia inteiro??!
*Reivindicar tudo o que queremos nunca é demais! Explico: Durante 6 anos, conversamos e ouvimos a promessa da redução de 32 horas para 30 horas. Não acoplamos mais um item nessa greve, esse impasse já existia há anos, conversar não adiantava mais... Não esquecendo ela foi uma promessa de campanha!
*A greve se caracteriza pelo não atendimento... Não há greve de ônibus, com ônibus circulando normalmente...Esse é só um exemplo....
*Essa era uma luta que ia além da questão salarial e a todo momento lembravamos:
Qualidade
Dignidade
Respeito
     E agora a poucas horas de retornar ao trabalho, digo a quem ainda não sabe: 
TERMINAMOS NOSSA GREVE!
     E terminamos com bons acordos e com uma união nunca antes vista na cidade! Espero que nosso governantes lembrem-se disso na hora em que pensarem em passar por cima das opiniões de seus funcionários! Muito obrigado às colegas que aqui deixaram seus comentários, muito obrigado às mães e pais que por aqui passaram! Espero que possa eu continuar recebendo a visita e os comentários de vocês! 
A transformação começa no ato de OUVIR!

Não estávamos em sala de aula, mas pelas ruas da cidade!
 


quarta-feira, 15 de junho de 2011

GREVE EM ESTEIO!

    Quem acompanha esse blog sabe que escrevo somente práticas referentes as turmas de Berçário, não o utilizo como um diário pessoal, ou um lugar de reclamações e afins...Mas sinto tanta falta de um... Então aqui, hoje, venho desabafar com vocês um pouquinho da situação dos professores de Esteio/RS e em particular dos professores da Emei Raio de Sol.
     Enquanto profissionais da educação infantil estamos dentro de carga horária de 32 horas semanais (6 horas diárias + 2 horas de reuniões semanais). Há anos que lutamos para retirar essas duas horas que nos fazem trabalhar à noite ou aos sábados . Essas duas horas também nos impedem de trabalhar em outros municipios ( e com o nosso atual salário, somos obrigadas a ter um segundo vínculo empregatício), isso porque a maioria dos estatutos municipais prevê que um professor só poderá  acumular a carga horária de 60 horas semanais de trabalho. Daí cito meu exemplo: estou prestes a ser chamada num concurso de 30 horas na cidade onde moro e com um salário bem atrativo, mas apesar disso estou há sete anos convivendo com a comunidade da Raio de Sol. Me sinto bem lá, lá sou feliz com o que faço... enfim... Mas devido a carga horária de 32 horas e não 30, vou ter que escolher.... E assim, muitos outros profissionais já fizeram essa escolha e nesse momento o salário vem antes, porque é dele que provemos o nosso sustento, os nossos livros, os nossos estudos.
     Nesse momento todos os professores de Esteio estão em GREVE, e nossa parada não é somente por questão salarial, mas por questão moral. Que diálogo aberto temos com a prefeitura se o prefeito a todo momento diz que não tem espaço em sua agenda para conversarmos, que cidade humana é essa que faz com que uma escola seja inaugurada e funcione há quase dois anos sem estar devidamente mobiliada? Será que para uma boa educação basta quatro paredes e um professor dentro? Onde estão nossas formações? 
     Lembro com saudosismo os anos em que pelo menos uma vez a cada dois meses reuniam-se todos os professores de Berçário, Maternais, Jardins... Onde víamos as práticas de outras colegas, onde teorizavamos a nossa prática... Por vezes abriam-se vagas pra cursos que eram pagos pela Prefeitura (Simpósio da IENH... Esse ano paguei por minha conta 110 reais para participar do evento. Dinheiro bem investido, mas que em outros anos era proporcionado pela prefeitura, pelo menos uma vaga para cada escola de educação infantil...).
      Não vejo as assessorias de educação infantil perto do nosso trabalho, não conversam, não se interessam sobre o que mais queremos. E como pode uma assessoria de um município não conhecer as práticas  do cotidiano da educação infantil. As vezes parece que tanto faz se seu trabalho é bom ou ruim... E é sempre assim... Tanto faz...
     E o que me faz balançar na hora de decidir se devo sair de um grupo como o que tenho na Raio de sol é justamente esse. Aqui não é TANTO FAZ. Aqui estamos sempre em busca de uma melhor educação, de um melhor ambiente para os pequenos, de uma melhor formação, de uma melhor prática, de melhores relações. Aqui estagiário planeja junto, faz junto, acontece junto e aposto que se nesse momento elas pudessem também estariam em Greve, porque um governo que os coloca para trabalhar firmando que o estagiário é importante na escola porque está a aprendendo a profissão, mente. Mente porque fala isso na hora de contratá-lo, mas quando o estagiário chega na escola descobre que ele é apenas um auxiliar do professor,  que não tem direito a planejar com o professor, que não precisa (pq não tem direito) participar de reuniões pedagógicas e entre outros absurdos que só desqualificam a prática do professor e do estagiário.... ARGH....
   E meu grupo (meu pq estou inserida nele) faz diferente.... Só nos sabemos como é importante estarmos juntas, nos unindo, nos defendendo, aprendendo, desaprendendo... 
SENHOR PREFEITO:
    Qualidade na educação não se refere a números. Mas se eles são tão importantes preste atenção no número do valor do meu ticket alimentação.... preste atenção na quantidade de horas diárias que eu trabalho dobrando turno e sem o direito a dedicação exclussiva que outros profissionais irão ganhar. Como pode uma preofessora que trabalha 11 horas por dia ganhar o mesmo ticket alimentação de uma professora que trabalha 6 horas. E como pode uma professora com duas matrículas (6 horas + 4 horas) ganhar dois tickets alimentação (  R$11 reais e R$ 5,50 ), enquanto  que os profissionais que fazem Regime Especial de Trabalho ( e são várias) ficam o ticket de alimentação de R$ 11 reais. Trabalho numa escola de periferia não tem um bom restaurante por perto... Mas quando resolvo comer num restaurante do Centro  meu ticket não cobre o valor da refeição.... E assim ficamos... Mas tanto faz, não é? Fico na escola até as 19 horas da noite e a prefeitura só me "ajuda" com o almoço. Teoricamente para o prefeito que me "ajuda" mensalmente, numa jornada de trabalho de 11 horas eu só preciso de uma refeição...
     Por isso, estamos em Greve e vamos continuar até que nos seja dado o devido respeito e a devida valorização!
Colegas da Raio de Sol fazendo a diferença na paralização do dia 08/06.Amo vocês, e me orgulho de permanecer nesse grupo!
 E adiante!

O QUE DIZ NOSSA SALA?

     Nosso túnel de papelão não aguentou muito tempo... Estamos tentando fazer outro porque ele era proporcionador de inúmeros jogos entre os bebês. Assim, no seu lugar trouxemos "a caixa grande", que havia sido confeccionado pela profª Amanda em 2010 para o Berçário 1.
     A piscina de plástico furou! No seu lugar inserimos um saco com bolinhas (esses sacos de cobertores com fechos). E assim vamos indo, inserindo, retirando, olhando o que os bebês nos dizem sobre essa sala e seus brinquedos/brincadeiras.
Saco cheio de balões. Também colocamos dentro dele bolinhas coloridas e até papel picado.
Brenda sentada na "caixa grande"! Por vezes os bebês se reunem para pular e dançar em cima dela... Também carregam-na para todos os cantos da sala.

domingo, 10 de abril de 2011

Brincando com Argila

Alguns tijolos de argila, um balde com água e crianças para livre experimentação! 
Importante: Permitir a livre exploração! O pátio ficou sujo: esforço/parceria: Vamos limpar! A escola é das crianças!
Bagunça!

Divertimento

Experimentando...

"A argila cola no portão!"



"Para isto o educador precisa dar-se conta 
que a educação dos bebês acontece o tempo todo,
nas atividades recorrentes do dia-a-dia.
Educar os bebês é colocar-se junto às crianças
para fazer a vida acontecer de modo criativo,
agradável, alegre ou silencioso, calmo.
Enriquecer a vida através de seus detalhes: 
sentimentos, sensações, 
pequenos momentos que muitas vezes nos passam despercebidos." 
MARIA CARMEM S. BARBOSA

Tinta, pra que te quero?


A brincadeira com tinta foi bem proveitosa, na verdade um termômetro para sabermos o que os nossos bebês pedem! Trabalho com o corpo, sensações, experimentos!
         Foi bom enquanto intermediávamos o uso das tintas conversar entre nós educadoras, a respeito dessa experiência, das suas possibilidades e afins. Tenho gostado das observações da profe Aline, lembrando que quando falamos em pintar com tinta, geralmente somos remetidas ao básico carimbo das mãos, ou o pintar cheio de camisetas que é para não se sujar.... Como aproveitamos o verão, deixamo-os só de fraldas para que além da parede eles experimentassem a tinta no próprio corpo, como uma reação da tinta que estavam usando....
         Deu trabalho? Muito, mas foi muito bom! A Dani e Aline foram dando banho enquanto eu ficava do lado de fora com eles ainda aproveitando a tinta e quemficava limpinho já ficava interagindo dentro da sala. No final do dia, todos puxaram uma almofadinha para descansar!
         O dia valeu muito a pena!!!! E é isso que importa!

Intervenção/olhar sensível do educador

Descobrindo/experimentando

Fascínio
Era pra pintar a parede!

Outros olhares...


     Nosso garotinho preferiu ficar fora da piscina e brincar num cantinho, alheio à bagunça dos colegas.
*Respeito as preferências
*Importância do olhar do educador

[...] É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, 
criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral:
e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu (self)."
WINNICOTT



COMEÇAMOS O ANO NO BERÇÁRIO 2!




É tempo de...

 BERÇÁRIO 2
Colo e acolhimento; assim são marcadas as primeiras semanas de volta ao ambiente coletivo escolar. Esses primeiros dias estão nos ajudando a criar de forma mais individual o vínculo tão importante entre o adulto e a criança.
Pautamos esse início na estruturação do ambiente, não esquecendo do que eles estavam acostumados a ter na sala do Berçário 1. Assim já iniciamos com a sala provida de diversos recantos/espaços...






*Um túnel de papelão
*Uma piscina plástica cheia de bolinhas
*Um cantinho com um tapete e almofadas, que também permite um brincar mais individual
*Caixas de papelão oferecidas como obstáculos
*Figuras adesivadas nas paredes (linguagem, acuidade visual)
*Baú das descobertas
*Esconderijo (Bambolê e TNT)

Além do acolhimento no espaço de sala, pensamos em aproveitar o clima para proporcionarmos diversas experiências ricas em sensações, fortalecendo a pesquisa dos pequenos e resgatando oportunidades tão importantes nessa primeira infância. Assim aconteceram:
*Banho de piscina e de mangueira
*Brincadeiras com tinta 
Brincadeiras com argila
*Idas ao pátio, brincadeiras na areia e nos brinquedos como o escorregador e o gira-gira
*Audição de músicas e histórias

Educadores dos Berçários e suas novas experiências

Deixo aqui um textinho explicando nossas novas experiências, referindo-me ao registro e planejamento das turmas de Berçário.



Como chegamos nesse ACOMPANHAMENTO...


                Na EMEI Raio de Sol, o trabalho com bebês tem se tornado, ao longo dos anos, um tanto quanto diferenciado. Práticas mais reflexivas, muita pesquisa, pensamentos coletivos em busca de uma educação sensível, sutil e prazerosa.
                O nosso Projeto Político pedagógico contempla os quatro pilares da educação e o trabalho por competências e habilidades. Percebemos após alguns anos de apropriação da maneira coletiva de se registrar o planejamento e o andamento das atividades, que as turmas de Berçário precisavam de outra forma de registro.
                Para nós educadoras dos Berçários o planejamento é o começo da ação do professor, é através dele que começa a ser tecida toda uma rede de aprendizagens ( e não falo para o aluno, mas sim para o professor). Redin (2007), quando fala sobre planejamento, nos deixa claro que não podemos pensar na educação como algo espontaneísta, como se a criança aprendesse sozinha e nem podemos ter uma visão de ensino adultocêntrica, com ações determinantes no professor, logo nosso planejamento não pode recair nesses conceitos. Também não pode significar apenas o preenchimento de uma tabela ou listagem de atividades para todos os dias da semana. O planejamento deve ser, uma oportunidade para sonhar, para refletir, para pensar em ações prazerosas para a infância, para justificar nossas atitudes.
                Nossas ações pedagógicas acontecem de forma mais natural e as atividades que pensamos nem sempre ocorrem de maneira “tabelada”, assim não convinha mais que colocássemos no papel algo que não acontecia diariamente. Da mesma maneira, começamos a perceber a necessidade de se registrar as minúcias diárias, ou seja, que também planejássemos os momentos de refeições, os momentos de descanso, os momentos de brincadeiras, os momentos de higiene, as intervenções na relação bebê/bebê, além de critérios para a seleção de experiências diárias (quem sabe retirar o termo “atividade”?).
                Pautadas primeiramente no respeito à infância e a compreensão do ser criança, seguiremos as habilidades e competências presentes no plano de estudos de nossa instituição e através dele selecionaremos experiências que promovam (principalmente) momentos prazerosos e de descobertas para os bebês.
                Esse ACOMPANHAMENTO trará nossos registros, uma forma de portfólio, nosso planejamento (de modo que nos ligue ao trabalho realizado pelo restante da escola),porém de forma mais descritiva e diferenciada (como todo o trabalho com crianças pequenas). Em suma, esse acompanhamento pretende ser nosso momento de reflexão, sendo um exercício de olhar e escuta. E devemos fazê-los (escutar e olhar) para além dos hábitos do fazer e do pensar, não o habitual, vamos reaprender! Se as crianças estão descobrindo o que vamos registrar? O que podemos perceber? O que nos contagia e encanta nas pluralidades de nossas  crianças?
                Essa tentativa de registro/planejamento/reflexão busca a compreensão de nossa própria práxis, tornando mais visível a percepção do aluno/criança/bebê, fazendo-nos desse modo acompanhar seu desenvolvimento no decorrer do tempo em que ficam conosco, descobrindo suas preferências e entendendo-os.
                E para ser nosso eixo norteador nessa prática inusitadamente diferenciada, ao planejarmos as diversas oportunidades de as crianças realizarem novas experiências ficam as palavras de TRISTÃO:


[...] o que será experiência para cada uma delas? O que vai tocá-las? É importante para a criança ou é apenas uma atividade planejada pela professora sem levar em conta os interesses e os modos de pensar e agir dos pequenos? O que se planeja está pautado nos jeitos de ser e de se expressar daquelas crianças? Respeita os seus tempos? A proposta tem a intenção de ampliar e enriquecer o repertório cultural, cinestésico, afetivo, relacional dos pequenos? (2006, p. 52-53)



E que venham as crianças!!!!

PALESTRA DE ABERTURA DO ANO LETIVO PARA AS EMEIS

    A palestra de abertura oferecida pela Secretaria de Educação desse ano teve como tema "Vida Cotidiana na escola: fazeres da docência", proferida pelo professor Altino José Martins Filho. 
    Algumas colegas pediram através do blog uma síntese da palestra  e eu acabei demorando para fazer essa postagem, pensando nesses pedidos... Fiz muitas anotações nessa palestra, compartilho muito das idéias do professor e poderia estar colocando tópicos do que eu achei importante, porém essa seria minha visão. Explico: Passo por um momento de dúvidas e transpareci esse momento através do meu questionamento ao professor no final da palestra. Ao pensarmos na infância dentro da instituição infantil, ao pensarmos na criança como um outro diferente do adulto, ao pensarmos nas "minúcias" do dia dessa criança dentro da escola (ou não pensarmos...) como inserir toda essa complexidade numa tabela de planejamento? 
      O ano de 2010 foi para mim, um ano de romper com padrões, porém ainda não tinha em mãos argumentos para justificar minhas atitudes. Como planejar com as crianças? Como trazer justificativas para ações "rotineiras"? Onde deixar claro minhas intenções dentro da escola, com minhas crianças? Como "sofisticar" meu planejamento de maneira que ele não contenha apenas a atividade do dia (aquela que vai ter fotos em portifólios, que vai ser tema de projeto, que vai ser exposta em feiras de idéias?)....
     E agora sim, nas palavras do professor Altino:

*"O que me mobiliza a uma luta constante do repensar a educação das crianças?"
*"Aprender o mundo!"
*"Rupturas de práticas estagnantes e adultocêntricas."
*"Uma prática sensível tem que ser inteligível."
*"Pensar nas minúcias do cotidiano"
*"Não deixar que sejamos engolidos pelo fazer-fazendo."

     E daí me coloquei a pensar: Como recebo as crianças? Como brinco com as crianças? Como converso com as crianças? Como faço sua higiene? Como me aproximo delas para trocar um carinho, para acalentá-las, para limpar seu nariz, para levá-la para trocar as fraldas?
     Percebi que não deveria somente pensar, deveria registrar, revalidar esses momentos.E sinceramente, penso que isso é o planejamento com as crianças, temos que compreeender o planejamento como nossas situações diárias (então se insere essas ações cotidianas e ações de brincadeiras, desafios planejados, etc).
     Passei a pensar que se não justifico minhas ações estou reafirmando a invisibilidade do meu trabalho junto aos pequenos, confirmando que somente quansdo há atividades "mirabolantes", "chamativas" e devidamente "registradas" é que se está dando importância ao trabalho docente.
     A partir da palestra de abertura e dos itens passados pelo professor (planejamento, avaliação e registro) passamos a ter um acompanhamento diário da turma de Berçário (cada educadora está fazendo o seu). Nesse acompanhamento o planejamento não está tabelado, mas de maneira descritiva, como formas de idéias, o registro está exposto o tempo todo, as relações teorias/prática aparecem através de pequenas citações, de fotos, imagens, poemas, enfim, uma criação um tanto quanto diferente, em construção, mas muito mais fiel ao trabalho que realizamos com os pequeninos. assim respondo um pedacinho do questionamento do Prof. Altino:
"Nossos pensamentos e reflexões tem nos ajudado a sofisticar o que fazemos com as crianças?"

quarta-feira, 2 de março de 2011

Educadoras  e crianças do B1 2010
Penso que agora acabei as postagens que tinha que fazer com referência ao ano de 2010! Foi um  ótimo ano, onde aprendi muito com as parceiras de trabalho, com as famílias e principalmente com os bebês.
Agora, estou trabalhando nos dois Berçários ( de manhã no Berçário 1 e a tarde no Berçário 2) e vou estar postando as aventuras dessas duas turminhas! 
Não esquecendo....

COMENTEM
Preciso compartilhar idéias, respirar outros ares, continuar acreditando na educação do possível!

Nosso encerramento de ano foi assim....

Há alguns anos fazemos uma festa de Natal com a apresentação dos alunos... Sempre pensamos muito bem o que vamos fazer com os Berçários, já que muitos choram.
A apresentação de 2010 superou todas as expectativas, já que os bebês curtiram pra valer aquele momento, parecia que eles já haviam estado naquele palco inúmeras vezes, tamanha familiaridade e espontaneidade deles...Tinha criança que não queria sair do palco depois que a música acabou!
Para prepará-los todos os dias durante o mês de novembro e dezembro escutávamos a música da apresentação, sempre dançando e brincando individualmente (mas sem aqueles fanatismos de ensaios e cobranças...argh), e o resultado mostro pra vocês através das fotos:
Bebês entrando no palco

Eles dançando e as educadoras em volta!

Todos curtindo!



A platéia! Famílias corujas!

E os livros?????

Olha o puxão de orelha que ganhei dias desses...
"Mari, como tu insere os livros, a literatura infantil para os bebês?"
Gente, não é que na correria do dia-a-dia quase não utilizavámos a leitura de livros para os bebês... Temos na sala muitos livros de tecido, de plástico, mas livro de "verdade" mesmo.... Ficamos devendo... Conversamos muito eu e minhas colegas, selecionamos alguns exemplares da biblioteca da escola e aí.... (Olhem as fotos!)






Ainda temos muito o que aprender...
Afinal o que vale mais: um livro todo "acabado" porque várias crianças o pegaram na mão, experimentaram suas histórias, imaginaram cenários e personagens, ou um livro novinho dentro de uma estante fechada somente ao alcance dos adultos?
ADIANTE!!!

E QUANDO ACONTECEM OS PRIMEIROS REGISTROS?


Olha o que os bebês descobriram numa manhã de brincadeiras no pátio:

    Assim, elas ficaram um tempão... ora riscando o chão com um galho seco, ora com as mãos...
Texturas
Sensações
Criatividade
Imaginação
Solução de Problemas
Interações/Relações
Encanto
     Tudo isso na pracinha de nossa escola: numa manhã ensolarada e agradável . Como é bom vê-los assim se desenvolvendo e nos surpreendendo! 





segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mais um pouquinho do meu TCC...
Não esqueçam: ao copiar mantenham os créditos!

 OS REGISTROS DE UM BERÇÁRIO: ENCONTRANDO O “CONCRETO” DAS ATIVIDADES
 
Até agora, falei sobre a visão que a maioria dos profissionais tem a cerca do trabalho com bebês. Sempre o que lemos sobre essa turma é fruto de pesquisa de pessoas que não atuam diretamente com elas. Nas amostras de trabalhos das turmas de educação infantil, dificilmente se percebe o que é realizado nessas classes, ficando claro o que quer dizer Tristão (2005) quando se refere a prática invisível. Logo me pergunto, porque deixá-la invisível? Como deixar marcada práticas de sucesso na educação infantil, em especial na faixa etária de 0 a 2 anos?
O planejamento é o começo da ação do professor, é através dele que começa a ser tecida toda uma rede de aprendizagens (e não falo para o aluno, mas sim para o professor). Redin (2007), quando fala sobre o planejamento, nos deixa claro que não podemos pensar na educação como algo espontaneísta, como se a criança aprendesse sozinha e nem podemos ter uma visão de ensino adultocêntrica, com ações determinantes no professor, logo nosso planejamento não pode recair nesses conceitos. Também não pode significar apenas o preenchimento de uma tabela ou listagem de atividades para todos os dias da semana. O planejamento deve ser, uma oportunidade para sonhar, para refletir, para pensar em ações prazerosas, para justificar nossas atitudes.
Ao planejarmos as diversas oportunidades de as crianças realizarem novas experiências levamos em conta,

[...] o que será experiência para cada uma delas? O que vai  
tocá-las? É importante para a criança ou é apenas uma
atividade planejada pela professora sem levar em conta os
interesses e os modos de pensar e agir dos pequenos? O que
se planeja está pautado nos jeitos de ser e de se expressar
daquelas crianças? Respeita os seus tempos? A proposta tem
 a intenção de ampliar e enriquecer o repertório cultural,
cinéstico, afetivo, relacional dos pequenos? (TRISTÃO, 2006, p. 52)

Na escola de minha atuação o planejamento é realizado uma vez por semana e faço-o juntamente com minha colega de turma. É claro que temos uma tabela para preencher (e professor vive sem ela?!), mas nossas ações começam a ser traçadas a partir do objetivo que pretendemos alcançar. No modelo de planejamento da min ha escola o meu objetivo delimita o meu tema (que poderia ser um projeto) e de acordo com as atividades que proponho sou levada a pensar em que habilidades meus alunos irão desenvolver. Essa tabela foi criada (trabalho da supervisão escolar) para que os profissionais pensassem o que estavam desenvolvendo nos alunos, já que o planejamento por muito tempo foi apenas um copia e cola de atividades de revistas, sem comprometimento com as reais necessidades de cada criança inserida no nosso contexto escolar.
Sinto necessário esclarecer que não cumpro à risca esse planejamento. Utilizo ele apenas como um apoio, sempre tentando realizar as atividades que estão ali propostas, porém as faço de acordo com o “clima” da sala. Muitas das atividades descritas são materiais que confeccionamos e que ficam ao alcance das crianças, no ambiente da sala de aula, em constante exploração. Portanto, atividade é o que não falta para os pequenos. Vale lembrar que nos planejamentos não estão programadas as rotinas, como se para essa faixa etária esses momentos também não fossem de inteiro aprendizado. E quando recordo esse fato, ganho mais um puxão de orelha, e dessa vez da minha própria pessoa! Ora o que estou fazendo que não tenho pensado e escrito sobre essas ações?
Se refletimos antes da atuação, também julgo importante a reflexão após a jornada de convívio com os infantes. E nesse registro o professor não precisa só contemplar a chamada “atividade do dia”, mas também seus pensamentos, suas descobertas, suas dificuldades, ou seja, o que realmente foi marcante.
Enquanto professora de Berçário transformei em hábito a prática do escrita reflexiva, contemplando junto com ela a fundamentação teórica e também registro fotográfico, mas saliento que essa não foi uma fácil tarefa e tão pouco ela partiu de mim. Com uma supervisão e uma orientação escolar atentas às suas profissionais,, partiu delas a “norma de se registrar o dia”, após meses de exercício (e falo exercício mesmo), chegamos a um modelo de registro onde descrevemos o que realizamos com a turma durante a semana.
Para a escola de minha atuação “registrar deve efetivamente fazer parte da constituição do processo de reflexão e da organização das ações no cotidiano
das instituições de educação infantil” (TRISTÃO, 2005, p. 54).
Antes de perceber as crianças da educação infantil, sempre ia com meu planejamento quase pronto, levando o que eu queria passar para eles, simplesmente “catava” algo diferente e levava para a sala. Nos registros fazia tópicos descrevendo o que havia acontecido durante o dia, no máximo escrevia como havia sido a recepção das crianças perante a atividade proposta, mas nunca a validade desta para elas. Assim, julgo a minha forma de registro atual
como o resultado de um planejamento estruturado a partir do que as crianças
me indicam (TRISTÃO, 2005, p. 54). Abaixo, um dos meus registros semanais:

Durante nossos planejamentos conversamos um pouco sobre
a evolução dos bebês dentro da sala do berçário e
começamos a focar mais as atividades no trabalho motor, pois
temos crianças que já engatinham e ficam em pé com apoio
(Raul, João, Andrey), os que ficam sentados (Marina, Mariany
e Yasmin), os que ainda não sustentam o corpo, precisando
assim de apoio na hora de sentar (Mateus, Talita, Nicole e
Pietro)
Nessa semana, usamos muito os pneus para possibilitar o
sentar principalmente para os bebês menores. Na verdade,
eles logo cansam e começam a chorar, mas muitas vezes
ficamos ao lado deles para que fiquem mais tempo em outra
posição que não deitados. Para colocar o Pietro no pneu é
uma ginástica, pois ele enrijece as pernas e quase não entra
no buraco, também não gosta de ficar de bruços no tapete de
E.V.A., mas até que brinca no cinturão sonoro, tendo um
grande prazer em mexer em todos os bichinhos, fazendo
muito barulho! A Nicole também tem gostado de observar os
brinquedos no cinturão e esse observar é tão rico que tivemos
que fazer um cinturão num dos berços, já que na hora das
refeições ela fica esperando sua vez para se alimentar e
enquanto isso fica brincando muito faceira.
O Mateus e a Talita ficaram doentes durante a semana
(estavam com febre e congestionados) e para não terem que
sair de casa tão cedo, já que está muito frio, vão ficar na casa
da avó na próxima semana.
Também tivemos o começo da gincana junina e a nossa
equipe (VERMELHA!!!) teve que desfilar para começar a
pontuar. Levamos os bebês para a área coberta dentro de um
dos berços que tinha roda. Todos estavam caracterizados com
a cor da equipe (todos os pais colaboraram! Bom sinal!), o
Andrey veio até com um chapéu do Inter...Eles adoraram!
A Mariany continua em adaptação porque chora muito,
principalmente quando vem à tarde, por isso mexemos no seu
horário, ficando das 10 h às 14 h, assim ela se alimenta e
dorme aqui na escola. A mãe tentou fazer uma “pressão” para
que ela ficasse mais tempo, mas eu salientei que ela só não
está adaptada ainda por causa do excesso de faltas, então ela
deveria cuidar para não quebrar novamente esse processo.
Vamos ver no que vai dar!!!
Vou ficando por aqui... (Diário de campo, 12/05/08 à 16/05/08.)


Esse registro semanal é realizado antes de começar a planejar a próxima semana, então serve como um termômetro, medindo a validade do que vem acontecendo em sala. Igualmente, o registro é um momento de reflexão da minha práxis, o lugar onde justifico as minhas intenções e mostro que nada é feito por fazer, cada ação tem por trás uma intencionalidade pautada nos interesses de cada bebê.
Essa reflexão acaba por ser um exercício de olhar e escuta. Devemos fazê-los (escutar e olhar) para além dos hábitos do fazer e do pensar, não o habitual, vamos reaprender! Se as crianças estão descobrindo o que vamos registrar? O que podemos perceber? O que nos contagia e encanta nas pluralidades de nossas crianças?
Ainda do meu diário, retiro um registro que poderia simplesmente ter sido esquecido, mas que foi significado de busca e de construção de material:


Há algumas semanas ganhamos da professora Luíza uma
caixa bem grande e tínhamos a idéia de fazer com ela um
trenzinho, mas queríamos pinta-lá antes, então deixamos ela
em pé ao lado do armário na sala do soninho. Qual não foi a
minha surpresa ao ver o João entrando na caixa e puxando as
abinhas para ficar ali escondidinho. Logo depois se ergueu e
ficou em pé dentro dela. Conversei com as gurias e pensamos
em colocar essa caixa na sal de atividades para que os bebês
pudessem entrar nela em pé e também fazerem jogos de
esconde-esconde, além de experimentarem o conceito de
espaço. A idéia foi aceita.
Por enquanto somente o João faz uso desse recurso, e os
outros ainda estão olhando com um ar meio desconfiado, mas
aposto que logo vão estar interagindo junto.[...] (Diário de
campo, 30/06/08 à 04/07/08)


Do mesmo modo Tristão (2005) também corrobora com a idéia de que o registro pode contribuir para as discussões com outras profissionais, tornando-se uma prática reflexiva da própria práxis, além disso, é uma maneira de contribuir não só para o planejamento das chamadas atividades, mas também no planejamento do tempo e do espaço que as crianças ocupam na escola.
Quando o professor reflete sua prática também percebe o aluno, conseguindo visualizar o seu desenvolvimento no decorrer do tempo em que ficam juntos, saber suas preferências, os motivos das suas atitudes, enfim entendê-los!