quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Papel higiênico para brincar? Será possível? Um rolo para cada um dos bebês?

Todos sabemos da sedução que os bebês têm por desenrolar os rolos de papel higiênico...
Na verdade, toda hora um deles pegava o rolo escondido de nós para desenrolar tudo num cantinho...
Vendo que outras professoras já tinham feito essa experiência em outras escolas, resolvemos também arriscar... Permitir a livre exploração do rolo de papel higiênico! Um rolo para cada bebê!
Olha quantas coisas eles aprenderam:
*Rasgar
*Desenrolar
*Atirar
*Puxar
*Comer

Na exploração foram experenciando sensações, atitudes (muitos queriam mesmo era limpar seus próprios narizes!), além de noções de força, movimento, motricidade fina, entre outros.

 
E o dia valeu a pena!!!

Foi mesmo proveitoso !!! Quando será que vamos repetir essa experiência tão boa?!

BEBÊS E LIVROS


E ando pensando, investigando, experimentando...
Mais que contar a história é deixar que eles (livros e crianças) nos contem!



E ela descobre que o livro tem uma flor, tal qual a que está na blusa dela... Mágico!
Sem interferência, mediação, apenas a potência do bebê! A potência de um bom livro e de um ambiente. Porque ler um livro na sombra de um lindo gramado é muito bom!!!

NOVO LIVRO ORGANIZADO PELO PROFESSOR ALTINO!


“DAS PESQUISAS COM CRIANÇAS À COMPLEXIDADE DA INFÂNCIA”
Organizadores: Altino José Martins Filho & Patrícia Dias Prado
ARTIGOS:

1. Diferentes infâncias, diferentes questões para a pesquisa – Zeila de Britto Demartini

2. Conhecer a infância: Os desenhos das crianças como produções simbólicas – Manuel Jacinto Sarmento

3. As crianças na escola: pesquisas antropológicas – Julie Delalande

4. Jeitos de ser criança: balanço de uma década de pesquisas com crianças apresentadas na Anped – Altino José Martins Filho

5. “Agora ele é meu amigo”: pesquisa com crianças, relações de idade, educação e culturas infantis – Patrícia Dias Prado

6. Num click: meninos e meninas nas fotografias – Márcia Aparecida Gobbi

7. Educação infantil e gênero: meninas e meninos como interlocutores nas pesquisas e como agentes de construção social e cultural – Daniela Finco

8. Um balanço dos estudos socioantropológicos da infância: caminhos, problematizações e diálogos – Ana Cristina Coll Delgado


Vale a pena ler pessoal! Mais um livro para pensar a infância, as crianças, os educadores e a escola.
Quem comprar, não esqueça de comentar aqui!!! Vamos trocar "figurinhas" sobre essa leitura!

domingo, 2 de outubro de 2011

As minúcias no cotidiano da educação infantil


A PEDIDOS!!!!
Colegas, esse  pequeno texto foi escrito para o Seminário da escola desse ano, foi feito a partir da palestra do professor Altino e sobre o que seriam as minúcias da nossa docência. A escrita desse texto teve alterações do professor Altino e agora posto ele como uma primeira tentativa de discutirmos essas minúcias e sobre nossa visão a partir, sobre e com elas, no nosso cotidiano.Também está muito forte em mim, a vontade de discutir o planejamento pedagógico na educação dos pequenos... Penso que as minúcias irão contribuir muito para uma nova tentativa de superar padrões adultocêntircos e tecnicistas...Mais adiante postarei algo sobre isso...
Espero que gostem do texto e não esqueçam de comentar!!!



TEORIZANDO AS MINÚCIAS NO COTIDIANO DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Por Marisete Schmidt e Altino José Martins Filho


Caríssimas Profissionais;

         Recentemente, na abertura do “Ano Letivo de 2011 das Emei’s”, tivemos a oportunidade de ouvir a palestra do professor Altino José Martins Filho doutorando da UFRGS. Dos seus apontamentos, reflexões e análises captamos algumas frases problematizadoras sobre a docência na Educação Infantil. As mesmas instigaram algumas de nós (e agora instigarão à todas!) durante todo o percurso do primeiro semestre. A fala do professor sobre “sofisticar o trabalho docente”; “o pensar na vida cotidiana” e por último “pensar nas minúcias dos afazeres da nossa docência no contexto da escola de educação infantil“, foi algo que nos mobilizou bastante e queremos compartilhar.

         MINÚCIAS?

         O que pensar por minúcias? Os detalhes? Os pormenores?  O que nos passa por despercebido?

         Então, seriam minúcias aquelas ações corriqueiras, rotineiras, ações que se repetem no trabalho diário no cotidiano com as crianças pequenas e bem pequenas? Explicando melhor é o limpar o nariz da criança, o recebê-la na entrada, o despedir-se na saída, os momentos de alimentação, a oração, é o lavar as mãos, o escovar os dentes, a hora de dormir, enfim.... E o que queremos (Nós professoras da Raio de Sol) dizer quando falamos em teorizar as minúcias? Dá importância á tais momentos, considerando-os como cruciais para o exercício da docência no seu dia-a-dia.

         Penso que queremos rever o que estamos fazendo com as minúcias que revestem a nossa profissão – ser professoras na Educação Infantil, primeiro segmento da Educação Básica no Brasil... O que já fazemos que nos faz perceber que damos a devida atenção para esses detalhes, pormenores do nosso cotidiano?

         Quando assoamos o nariz de uma criança lhe avisamos antes de fazer, ou quem sabe fazemos uma pequena brincadeira gestual, ou ainda lhe convidamos carinhosamente para fazê-lo sozinho? Isto não seria muito diferente de executar tal ato de maneira mecanizada, automatizada ou rotineira? Quando colocamos uma criança para dormir nos preocupamos em tirar os seus sapatos, ajeitar seu travesseiro, cantar uma musiquinha, fazer um carinho, afrouxar o elástico do cabelo? Quando uma criança chega na porta, como lhe recebemos? Como é essa acolhida? Conversamos ou só cumprimos a “rotina”? Damos atenção ao que as crianças apresentam como sendo algo especifico daquele dia, ou as tratamos de forma generalizada ou naturalizante.  

         Chegamos no ponto em que não podemos confundir a rotina com as minúcias. A rotina é institucional e nesse caso vai se referir a horários e é revestida por minúcias. Organizando a rotina damos atenção às minúcias que a compõem? As minúcias tornam-se gestos e atos, um olhar de carinho e cuidado para com um ser pequenino.

         Do professor Altino Martins Filho veio as seguintes palavras:

“(...) penso ser muito importante sacudir os profissionais para pensar as minúcias da docência, principalmente o que acontece no seu dia-a-dia...tenho me assustado muito no acompanhamento das práticas cotidianas de professores de educação infantil. Nestas são apenas pensado as atividades pedagógicas, momentos muito marcados por atitudes escolarizantes do modo de se ser professor...Vemos um discurso afiado em relação as especificidades da Educação Infantil, porém no seu cotidiano não vemos preocupações com o modo de servir o almoço, o receber as crianças, a despedida, o sono, o que significa está um dia inteiro com elas na escola, que é muito diferente do Ensino Fundamental, principalmente pela idades das crianças e pelo tempo de permanência neste espaço coletivo de educação...Isto precisa ser explorado e marcado com cuidado, pois se não os professores acham que é para planejar todo os acontecimentos do dia-a-dia e ninguém teria fôlego para tanto. A intencionalidade é que precisa ser marcada com um planejamento aberto e não “pedagogizado”, “escolarizado” ou tratado “espontaneamente”. Pensar todos os momentos dos afazeres da docência que perpassa pela vida no seu dia-a-dia na escola de Educação Infantil precisa ser um ato de se pensar as minúcias (...)”


         E é isso que nós pensamos para esse seminário, pensamos num tempo em que pudéssemos olhar mais para as nossas minúcias, os nossos grandes e pequenos detalhes que revestem a docência com as crianças bem pequenas e pequenas...

(Texto escrito com base na Palestra do professor Altino José Martins Filho, em fevereiro de 2011, na cidade de Esteio).
        

terça-feira, 20 de setembro de 2011

COLUNA DO JORNAL "O ESTEIENSE"


Na semana que passou, tive um pequeno texto publicado no jornal "O      Esteiense" (vinculado ao Sindicato dos Servidores Municipais de Esteio) , nele faço um convite para que os leitores me ajudem a construir a próxima coluna. Minha intenção é de falar sobre a educação infantil dentro da cidade, sem falar em números (ou será que deveria?), gostaria de poder falar de práticas exitosas, de movimentos importantes no que se refere à educação e cuidados das crianças na escola de educação infantil. Então vamos lá! Espero o mesmo movimento que obtive com o texto referente a Greve em Esteio. Deixo aqui o texto da primeira coluna e peço que não esqueçam de comentar!



E a Educação Infantil? O que sabemos sobre ela?
Por Marisete Schmidt*

            Quando fui convidada pelo Sindicato para escrever nesse espaço, fiquei dias me perguntando de onde deveria partir, o que escrever a respeito da educação infantil. Justifico minha preocupação pelo fato de ser a Educação de crianças pequenas algo ainda em construção (e diria até desconstrução).
Em cada escola e em cada turma de crianças percebe-se olhares diferenciados para tratar dessa chamada “educação”. Penso que esses olhares vão depender da visão de infância que cada profissional mantém dentro de si. E já poderia terminar esse texto aqui, chegando ao ponto de (re) lembrar que a educação infantil é o professor viver a infância junto com a criança, tornar o tempo que ela está na escola prazeroso, esquecer o controle de corpos (“fiquem sentados”, “brinquem somente no tapetinho”, “não pula fulaninho”), liberar os movimentos, as falas, exercitar a escuta sensível, conversar com a criança!
Mas ao seguir esse texto penso ser importante convidá-los a pensar em como a criança permanece quase 12 horas dentro de uma instituição de educação coletiva? Quais as visões que recaem sobre elas?
Enquanto profissionais ainda estamos lutando para entender a temática educação x cuidado. E assim, não é difícil percebermos ações extremamente escolarizantes e focados no interesse do adulto (muitos ‘trabalhinhos”, tudo deve ficar registrado, a criança tem que atingir os objetivos propostos pelas suas professoras, pautados num projeto da Escola). Onde estão os objetivos da criança? Quando ela chega na escola e propõe o que gostaria de fazer naquele dia?
Há também as turmas (geralmente das crianças menores de 3 anos) em que o cuidado ocupa todo o tempo e todas as energias das profissionais, logo não sobra espaço para um brincar com a interação do professor e nem para um cuidado mais pensado. E daí explico novamente: o cuidado na educação infantil vem a ser um fator muito importante, ele acontece o tempo todo e acoplando-o com o que chamamos de “educar”  deve ser mais pensado! Não separamos o cuidar das atividades prazerosas ou de momentos mais livres, então esse cuidar não pode servir de desculpa para não aproveitarmos mais o tempo junto das crianças. Se uma criança precisa de uma troca de fraldas e por conseqüência de um banho, o professor pode fazer desse momento, um espaço para conversar com a criança, para brincar, para escutá-la (não somente através da fala, mas também dos olhares, gestos e até do silêncio!). E essa troca de fraldas e/ou banho deve aparecer da algum modo nos meus registros de professor.. O que eu pensei sobre esse momento? Com certeza não há tempo docente para tantos registros, mas o educador tem que ter em mãos o que justifica suas ações com as crianças. O meu cuidar/educar deve ser visível quando ao limpar o nariz de uma criança eu lhe convido para essa ação, ou quando eu lhe aviso que vou limpar o seu nariz, sem tornar aquele ato mecânico ou rotineiro, dando para a criança a consciência do que está acontecendo.
          E é isso que vem se debatendo, a respeito da educação infantil... Que ela seja um espaço de bem-estar, de experiências prazerosas, de conquistas e descobertas. Sendo o seu professor, uma pessoa que irá (re) pensar as minúcias do cotidiano, tornando agradável esse ficar 12 horas longe de sua casa, mas num ambiente acolhedor e pensado para ela.
          Para a próxima coluna: Como anda a educação infantil em Esteio? O que temos visto nas nossas escolas? Convido-os a interagir com essa colunista ( e construir nossa próxima conversa) através do blog:
Deixem seus comentários!

*Marisete Schmidt é pedagoga e professora da Emei Raio de Sol desde 2004.




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

LIVRO DO BEBÊ

     Há uns três anos participo da experiência de construir o livro do bebê nas turmas de Berçários. Esse livro é individual e carrega a narrativa do tempo em que a criança permanece conosco. É um livro compartilhado, ou seja, confeccionamos e ele vai para casa no fim-de-semana e a família pode também interferir nele, colando fotos, relatando acontecimentos e histórias (por vezes de forma espontânea e outras vezes por nossos questionamentos). Todos os pais adoram e é lógico que fomos evoluindo muito na sua confecção...       
     Atualmente o livro conta com fotos reveladas (não impressas) e os pais contribuem com um determinado valor para que possamos revelá-las. Todos adoram e ficam na expectativa, esperando o dia em que o livro vai para casa. O livro que começa no Berçário 1 segue para o Berçário 2.
     Nesse ano tenho dedicado mais tempo ao planejamento do livro do bebê. Penso nele como uma forma de dar voz ao bebê, uma forma de trazer os pais para perto de seus filhos nos momentos em que estão ausentes.    Vejo neles mais do que fotos bonitinhas coladas numa folha colorida. Quero mais, quero ir além...
     Tenho comprado muitas revistas de scrapbooking (álbuns decorados) para inspirações, e tenho como idéias:
*O fato do livro ser bastante estético, encher os olhos, ser agradável;
*O livro pode ajudar a criança a contar a vida (trazer fotos, detalhes, conversas, lembranças, musica, poesia)
*Não precisa ser igual para todos (aí é que temos mais dificuldade porque pensamos ainda numa "atividade" para registrar no livro...);
*Assim como o nosso planejamento, o Livro deve ser inusitado, sofisticar as minúcias diárias, trazer fatos importantes para o BEBÊ (por isso devem ser diferentes...)
*O exercício de fazer livro por livro, ajuda-nos enquanto educadoras a pensar na criança, nas suas ações, nas conquistas, na família, etc...
     Tenho gostado muito dos livro desse ano, o colorido, as fotos, as legendas da Profª Adri, da interação e interesse dos pais. Vou indo, pensando, (re) pensando, descobrindo...









quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sempre EXPERIÊNCIAS!!!

     Tá muito frio por aqui, então tivemos que dar uma paradinha nas atividades de melecas e afins.... Mas.... Muita coisa surge de nossas memórias e de pensamentos mais "libertadores".
     Contar com a parceria não tem preço! Sugerir uma coisa e de repente termos em mão várias oportunidades é muito bom.
    Da experiência de comer nozes (favorece a experimentação, pesquisa, promove a curiosidade, a motricidade e a mastigação),  fomos para o pátio pegar o solzinho da tarde, levamos juntos a cesta com tecidos e liberamos para as mais diversas brincadeiras.
    Valeu !!!!
Sol, nozes, tecidos! E X P E R I Ê N C I A !

sexta-feira, 8 de julho de 2011

V SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO INFANTIL




 
“TEORIZANDO AS MINÚCIAS DO COTIDIANO NA EDUCAÇÃO INFANTIL!”

 

 
CRONOGRAMA

15/07/11
19h → credenciamento
RELATOS DE EXPERIÊNCIAS
1)Roda de conversas – Profª Amábile e Natálie
2)“Tempo de dar colo,tempo de decolar” (re)pensando as práticas,brinquedos e brincadeiras com as turmas de berçário - Profª Marisete e Luisa
 
16/07/11
08h → credenciamento/abertura
AFRICANIDADES NO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Ministrante: Tanise Müller Ramos
13h - "A CRIANÇA DE 0 A 5 ANOS - SUGESTÕES DE MANEJO, JOGOS E ATIVIDADES PARA ESTIMULAR A LINGUAGEM - PARTE II" 
Ministrante: Marilene Costa de Castro

Local: Câmara de Vereadores de Esteio
Inscricões: 3473-2121
Carga Horária: 15 horas
 

domingo, 19 de junho de 2011

FINAL DE GREVE

"Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção" 
                         Geraldo Vandré

     Desde quarta-feira quando escrevi o último post referente à GREVE em Esteio, sentei várias vezes na frente do computador para responder a todos que deixavam seus comentários...Escrevia e apagava....Escrevia e apagava... Nessas horas recebia sábios conselhos: "não responde, você lançou o desabafo tem que respeitar as diversas opiniões, mesmo que não concorde". E assim fiquei, uma expectatora do impacto das minhas palavras.       
     Sempre que tinha a oportunidade gerenciava o blog, lendo os novos comentários e contando os visitantes... Muitas vezes as palavras fortes me martelavam na cabeça. Dificil recebermos criticas, ainda mais quando temos a plena convicção que estamos certas, que estamos na luta por um ideal, fazendo a história ser diferente. Também me perguntei (enquanto apitava na frente da prefeitura, enquanto cantava palavras de ordem pelas ruas da cidade, enquanto segurava cartazes fazendo um apelo para a nossa atual administração) o que me fazia seguir um movimento que não sabia onde terminaria, o que me constituia enquanto  cidadã descontente mas não acomodada? E daí muitas recordações: passeata Fora Collor, protesto pela falta de professores e pelos baixos salários dos mesmos desde minha 8ª série até o final do meu curso Normal... Assim, enquanto eu aderia à Greve, enquanto caminhava pelas ruas da cidade alertando a população sobre o que acontecia na nossa administração, enquanto refletia sobre os rumos do movimento, em nenhum momento esquecia dos MEUS ALUNOS, ao contrário, estava ali por eles...
     Fiquei feliz com algumas reflexões perante alguns comentários (tanto aqui pelo blog, quanto nas ruas de Esteio durante o movimento de Greve):
* Meu trabalho não é uma obrigação! Já pensaram numa pessoa ser obrigada a ficar numa sala com 16 crianças durante o dia inteiro??!
*Reivindicar tudo o que queremos nunca é demais! Explico: Durante 6 anos, conversamos e ouvimos a promessa da redução de 32 horas para 30 horas. Não acoplamos mais um item nessa greve, esse impasse já existia há anos, conversar não adiantava mais... Não esquecendo ela foi uma promessa de campanha!
*A greve se caracteriza pelo não atendimento... Não há greve de ônibus, com ônibus circulando normalmente...Esse é só um exemplo....
*Essa era uma luta que ia além da questão salarial e a todo momento lembravamos:
Qualidade
Dignidade
Respeito
     E agora a poucas horas de retornar ao trabalho, digo a quem ainda não sabe: 
TERMINAMOS NOSSA GREVE!
     E terminamos com bons acordos e com uma união nunca antes vista na cidade! Espero que nosso governantes lembrem-se disso na hora em que pensarem em passar por cima das opiniões de seus funcionários! Muito obrigado às colegas que aqui deixaram seus comentários, muito obrigado às mães e pais que por aqui passaram! Espero que possa eu continuar recebendo a visita e os comentários de vocês! 
A transformação começa no ato de OUVIR!

Não estávamos em sala de aula, mas pelas ruas da cidade!
 


quarta-feira, 15 de junho de 2011

GREVE EM ESTEIO!

    Quem acompanha esse blog sabe que escrevo somente práticas referentes as turmas de Berçário, não o utilizo como um diário pessoal, ou um lugar de reclamações e afins...Mas sinto tanta falta de um... Então aqui, hoje, venho desabafar com vocês um pouquinho da situação dos professores de Esteio/RS e em particular dos professores da Emei Raio de Sol.
     Enquanto profissionais da educação infantil estamos dentro de carga horária de 32 horas semanais (6 horas diárias + 2 horas de reuniões semanais). Há anos que lutamos para retirar essas duas horas que nos fazem trabalhar à noite ou aos sábados . Essas duas horas também nos impedem de trabalhar em outros municipios ( e com o nosso atual salário, somos obrigadas a ter um segundo vínculo empregatício), isso porque a maioria dos estatutos municipais prevê que um professor só poderá  acumular a carga horária de 60 horas semanais de trabalho. Daí cito meu exemplo: estou prestes a ser chamada num concurso de 30 horas na cidade onde moro e com um salário bem atrativo, mas apesar disso estou há sete anos convivendo com a comunidade da Raio de Sol. Me sinto bem lá, lá sou feliz com o que faço... enfim... Mas devido a carga horária de 32 horas e não 30, vou ter que escolher.... E assim, muitos outros profissionais já fizeram essa escolha e nesse momento o salário vem antes, porque é dele que provemos o nosso sustento, os nossos livros, os nossos estudos.
     Nesse momento todos os professores de Esteio estão em GREVE, e nossa parada não é somente por questão salarial, mas por questão moral. Que diálogo aberto temos com a prefeitura se o prefeito a todo momento diz que não tem espaço em sua agenda para conversarmos, que cidade humana é essa que faz com que uma escola seja inaugurada e funcione há quase dois anos sem estar devidamente mobiliada? Será que para uma boa educação basta quatro paredes e um professor dentro? Onde estão nossas formações? 
     Lembro com saudosismo os anos em que pelo menos uma vez a cada dois meses reuniam-se todos os professores de Berçário, Maternais, Jardins... Onde víamos as práticas de outras colegas, onde teorizavamos a nossa prática... Por vezes abriam-se vagas pra cursos que eram pagos pela Prefeitura (Simpósio da IENH... Esse ano paguei por minha conta 110 reais para participar do evento. Dinheiro bem investido, mas que em outros anos era proporcionado pela prefeitura, pelo menos uma vaga para cada escola de educação infantil...).
      Não vejo as assessorias de educação infantil perto do nosso trabalho, não conversam, não se interessam sobre o que mais queremos. E como pode uma assessoria de um município não conhecer as práticas  do cotidiano da educação infantil. As vezes parece que tanto faz se seu trabalho é bom ou ruim... E é sempre assim... Tanto faz...
     E o que me faz balançar na hora de decidir se devo sair de um grupo como o que tenho na Raio de sol é justamente esse. Aqui não é TANTO FAZ. Aqui estamos sempre em busca de uma melhor educação, de um melhor ambiente para os pequenos, de uma melhor formação, de uma melhor prática, de melhores relações. Aqui estagiário planeja junto, faz junto, acontece junto e aposto que se nesse momento elas pudessem também estariam em Greve, porque um governo que os coloca para trabalhar firmando que o estagiário é importante na escola porque está a aprendendo a profissão, mente. Mente porque fala isso na hora de contratá-lo, mas quando o estagiário chega na escola descobre que ele é apenas um auxiliar do professor,  que não tem direito a planejar com o professor, que não precisa (pq não tem direito) participar de reuniões pedagógicas e entre outros absurdos que só desqualificam a prática do professor e do estagiário.... ARGH....
   E meu grupo (meu pq estou inserida nele) faz diferente.... Só nos sabemos como é importante estarmos juntas, nos unindo, nos defendendo, aprendendo, desaprendendo... 
SENHOR PREFEITO:
    Qualidade na educação não se refere a números. Mas se eles são tão importantes preste atenção no número do valor do meu ticket alimentação.... preste atenção na quantidade de horas diárias que eu trabalho dobrando turno e sem o direito a dedicação exclussiva que outros profissionais irão ganhar. Como pode uma preofessora que trabalha 11 horas por dia ganhar o mesmo ticket alimentação de uma professora que trabalha 6 horas. E como pode uma professora com duas matrículas (6 horas + 4 horas) ganhar dois tickets alimentação (  R$11 reais e R$ 5,50 ), enquanto  que os profissionais que fazem Regime Especial de Trabalho ( e são várias) ficam o ticket de alimentação de R$ 11 reais. Trabalho numa escola de periferia não tem um bom restaurante por perto... Mas quando resolvo comer num restaurante do Centro  meu ticket não cobre o valor da refeição.... E assim ficamos... Mas tanto faz, não é? Fico na escola até as 19 horas da noite e a prefeitura só me "ajuda" com o almoço. Teoricamente para o prefeito que me "ajuda" mensalmente, numa jornada de trabalho de 11 horas eu só preciso de uma refeição...
     Por isso, estamos em Greve e vamos continuar até que nos seja dado o devido respeito e a devida valorização!
Colegas da Raio de Sol fazendo a diferença na paralização do dia 08/06.Amo vocês, e me orgulho de permanecer nesse grupo!
 E adiante!