terça-feira, 21 de abril de 2015

E NA HORA DE IR EMBORA?

 Fomos desafiadas a pensar nas nossas ações cotidianas, nos momentos em que passamos com as crianças. Nossa primeira reflexão recaiu sobre a hora que a criança vai embora, assim, passamos dias pensando nesse momento, o que fazemos nessa hora:
      *Acompanhar a criança até a porta;
      *Conversar com a família;
      *Despedir-se da criança;
      *Relatar algo que a criança fez durante o dia.
Mas daí, verificamos  que nossas ações para esse momento são pensadas muito antes e que ao longo das semanas as modificamos para adequarmos aos movimentos das crianças.
Então, tudo começa após ao jantar (lá pelas 16 horas)... Enquanto as crianças estão no refeitório, uma das educadoras volta para a sala e prepara o ambiente, arrumando um cantinho especial, colocando no chão um baú com objetos variados, ou revistas, ou tecidos, há também vezes que o cesto tem alguma fruta diferente para experimentarmos (teve lima, uva dedo-de-dama, ameixa, bergamota), enfim... Quando as crianças chegam na sala se envolvem com diversas brincadeiras e objetos e assim vamos realizando as ações que poderíamos chamar de rotineiras. O que diferencia esse momento são os diálogos, as trocas entre as crianças e também entre as educadoras. Varias vezes entramos num pequeno "grupo de estudos", falando da melhor maneira de trocar as fraldas, de fazer a higiene das mãos, de ações que demonstram mais cuidado para com os pequeninhos. Quando estão todos prontos (fralda trocada, roupa limpa), vamos dando mais atenção a cada criança. Um colinho apertado, um cafuné com uma musiquinha cantarolada ao ouvido, e até o arrumar os cabelos (as crianças também gostam de arrumar os cabelos das professoras!), vão deixando-as menos ansiosas pela espera dos seus familiares.

A salka fica assim no final do dia!

Arrumando o cabelo da "profe"
Colinho apertado! Coisa boa!!!!
E tudo valeu muito a pena!!!!

SOBRE O PLANEJAMENTO E O TAPETINHO DA VOVÓ

O planejamento e o registro reflexivo nos fazem pensar mais sobre os detalhes, nos favorece de modo em  que tudo o que pensamos  possa de alguma forma vir parar aqui (no diário do professor, no livro da criança, nesse blog!), sendo vivido também por quem lê. Explico: Num planejamento enxuto, tabelado, burocrático, como apareceria o "tapetinho da vovó"? Como daríamos a ele a devida importância? Não inserimos o tapete como uma "atividade", mas como uma ação/intervenção, e isso  foi tão importante que sua observação faz-se imensamente necessária! Tanto para escrever sobre isso, pensamentos voam longe.... Mas vamos para o tapete! rsrsrsrsrsr
Ele foi feito pela minha avó, que se ofereceu para fazer quando me escutou falar de como a sala estava fria, daí ela me contou que já tinha feito uns tapetes para a escola perto de onde morava há alguns anos atrás... Eu trago muitas lembranças da minha infância com esse tipo de tapete (lembro de ajudar a fazê-lo, lembro de brincar com bonecas em cima dele, de tentar fazer sequência de cores, etc.).
Não achei que o tapete despertaria tanto nas crianças, a primeira reação deles foi se jogar em cima, deitar, rolar, depois  com o tempo foms percebendo os movimentos: uma das crianças escondia carrinhos nos fios de tecido, outra se deitava e alisava os retalhos (imagina que sensação gostosa!), muitos buscavam pelo tapete para as brincadeiras  mais solitárias, enfim...
Para nós educadoras/observadoras/experimentadoras o tapete é:
*um recanto/espaço
*importante herança cultural
*espaço de sensações
*ponto de encontro
*local de convites ("deita aqui no tapetinho")
 
P.S.:
1) Das últimas notícias sobre o tapete:quando saí da Emei Raio de Sol, fui "obrigada" pelas colegas Luísa e  Carla, à deixá-lo como herança... Será que ainda existe?
2) Tenho que fazer mais tapetes com a minha avó, passar mais tempo com ela e oferecer a "sensações do tapetinho" para mais crianças...
 
Tempo bom, valeu a pena registrar!!!!




domingo, 24 de agosto de 2014

Sobre os bebês, a tinta e uma parede de azulejos!

 
Amo poder falar sobre esse processo! Usar tinta, usar suportes, criar, deixar marcas e marcar o interior da escola/espaço coletivo.
Essa é uma proposta livre, em que os professores podem adentrar, mas não interferir de modo a "comandar". Pintar livremente os azulejos, precisa de uma logística (quando os primeiros demonstrarem não querer mais pintar, aos poucos vamos levando-os para tomar um banho, logo a sala também já deve estar preparada para acolher quem for deixando a brincadeira e tem que haver outra professora que fique até o final, com o grupo que aproveita até o último instante). Pintar a parede de azulejos, precisa de olhar atento, precisa de adultos que se deixam "convocar".
SENSAÇÕES, CORPOREIDADE, MOVIMENTO, EXPERIMENTO!
Com a repetição da proposta, temos um importante momento de pesquisa de cores e formas de registro.
As imagens falam muito!!!
Pés que pintam!

Uma bebê que não quer pintar, mas que está curiosa pelo processo.

"Antes de pintar no azulejo, vou experimentar na minha mão!"

Trabalho coletivo!!!

Disputando o pote de tinta

Muita tinta!

Faltou espaço nos azulejos?!
Pintura pronta!!!

domingo, 10 de agosto de 2014

UM TRABALHO DE CORPO!

Na volta do lanche, as crianças se depararam com uma sala diferente! Uma sala cheia de barbantes esticados!
Como entrar? Como brincar nesse espaço? 
 Eles foram inventando jeitos de se movimentarem, foram se adaptando nesse espaço. Aos poucos passaram a brincar passando por cima e por baixo dos barbantes.
Uma experiência para ser repetida várias vezes, e em diversos espaços (portas e entradas são ótimas para isso!). Trabalho corporal, de grupo, um desafio para as crianças e também para as professoras!
 


Uma sala diferente! Desafios!


Dando um "jeitinho" nos barbantes!

Adaptação ao espaço!

Testando!


MARCAS

 
Sim, os bebês adoram canetas e papéis (ás vezes, canetas e paredes!) e na escola podemos proporcionar inúmeras situações para que os pequenos investiguem cada vez mais esses suportes.
Nessas fotos, crianças de Berçário 2 (1 ano à 2 anos), receberam canetões hidrocores e um pedaço de papel pardo fixado no chão.
Notem que vão além do papel, marcam o corpo, uma marca feita por eles... Notem as posturas corporais que adotam e o quanto é importante essa liberdade para eles. Desenhar sentado, deitado, de lado, em cima do papel.
 Os desenhos dos pequenos percorrem caminhos!
Crianças, papel e canetas!
 
 
O corpo que fala e se adapta para o registro!

Marcas


Um pouco no corpo, um pouco no papel!


 
 "O espaço do prazer não é o mesmo espaço da realidade. O imaginário não conhece o tempo cronológico, nem os cercamentos do real. O prazer da arte está relacionado ao prazer (...) Na criança, o espaço plástico é o gesto que mobiliza o sujeito inteiro na produção da mancha colorida."
Sandra Richter

domingo, 3 de agosto de 2014

UM BANHO!

Sempre questionamos sobre a necessidade do banho na escola infantil. Entendemos que o banho diário deva ser uma rotina da família, mas nossos  pequenos passam muitas horas na escola, e por vezes, o banho se faz necessário! Que bom!
É bom termos momentos em que podemos modificar tudo!
Nesse dia os bebês estavam agitados! Começo do calor, muito barulho na rua, uma coleguinha que chorava bastante...
Solução: fomos para o banho! Uma músiquinha calma, uma água morninha e para completar BOLINHAS DE SABÃO!
O banho deve atender a necessidade da criança, não pode ser rotineiro e mecanizado, deve ser um momento individual (mas até que banhos coletivos geram uma grande diversão!), momento de conversa calma, cuidado com o corpo, roupas limpas, novas sensações...
 

 
"Em sua experiência de serem cuidadas, as crianças aprendem a vestir-se, comer, fazer sua higiene e desenvolvem o sentimento de bem estar com esses cuidados. Em todas as situações, elas aprendem sobre sua vulnerabilidade e capacidades, sobre qualidadres humanas universais e sobre diferenças entre as pessoas." (Altino José Martins Filho)

DE VOLTA!

Sim, de volta, novamente, e sempre!!! Essa sou eu!
Muita coisa mudou... Um novo começo...
Nesse ano de 2014, me afastei de Esteio e da Emei Raio de Sol (escola que me tornou a professora que hoje sou!), para ser gestora da Emei Vitória Régia, em São Leopoldo. Tive a felicidade de reencontrar a colega Adriana Souza (que também havia trabalhado na Raio de Sol, alguns anos atrás), a felicidade de estar num grupo de professoras maravilhosas e a felicidade de ter a confiança da comunidade escolar.
A gestão é muito diferente da sala dos bebês... Mas é uma uma alegria estar escrevendo a história de uma escola como a Vitória Régia.
Ainda sinto muito o fato de não estar em sala, e também de querer continuar compartilhando o que aprendi com as crianças.
Hoje, olhando meus antigos diários, percebi que muita coisa não publiquei, muita coisa linda, cheia de significados.... Então, sigo! Fotos antigas, idéias, reflexões, tudo sobre os bebês com quem tanto aprendi! Não quero parar, não vou parar e até me sentir segura para escrever sobre a gestão, vou escrevendo o que já vivi, o que já senti, o que sou!
Acompanhem, comentem, compartilhem!

BACIA COM PEDRINHAS DE GELO

 
 
 
 
Nesse dia, levamos uma bacia cheia de cubos de gelo (vários tamanhos) para o pátio e deixamos à disposição dos bebês.  Sensações, motricidade, pinça fina, solução de problemas.
Gelo na mão, na boca, no chão!
Gelo que pinga, que vira água, e água bem gelada!
Disponibilizamos junto com o gelo algumas peneirinhas para serem usadas como suporte. Foi uma ótima brincadeira. Teve até quem tentou entrar para dentro da bacia, mas logo desistiu... Porque será?! rsrsrsrs
Mais uma tarde pra guardar na memória!



domingo, 17 de março de 2013

SOFISTICANDO O DIA / OU, PARA O DIA VALER A PENA!
 
*Um bambolê
*Balões decorados
*Balões transparentes com materiais diversos (farinha, água, lã, gel e lantejoulas, etc)

*Experiência da turma do Berçário 1 no ano de 2011. Vi essa  sequência de fotos e não pude resistir!

Pessoas!!!! Quantas saudades desse cantinho!!! Novamente volto, mas fortalecida, mais amadurecida, mais experiente e com mais EXPERIÊNCIAS!!! Justifico: No ano de 2012 assumi outro concurso de 30 horas na educação infantil do municipio onde moro (Sâo Leopoldo). A realidade de uma outra educação infantil não foi fácil e era na  Raio de Sol que respirava... Fiquei muito tempo pensando o que fazer com o blog... Acoplar minhas novas experiências??? Decidi que o Quero um Colinho vai continuar a falar somente das minhas experiências com os bebês e as crianças pequenas da Raio de Sol (Esteio). Novas experiências ainda serão contadas, mas com cuidado, com cautela,com uma narração própria... Uma nova aventura...
Nas próximas postagens vou recuperar as experiências do ano de 2012, mas vou começar por um achado, um texto justificando o período  de inserção dos bebês no ano de 2012... Vale a pena ler!!!
 
 
 
 
A INSERÇÃO DOS BEBÊS NA EMEI RAIO DE SOL
Por Marisete Schmidt
 

            Há tempos pensamos em como promover ações  de inserção de bebês dentro de um espaço de educação coletiva, assim, todos os anos vamos mudando os jeitos de manejo com os bebês e com suas famílias, melhorando as aproximações, primando por um ambiente de qualidade e garantindo o bem estar dos infantes.
           Parte desses pensamentos iniciaram ao percebermos/entendermos que esse espaço é direito da criança, parando com as célebres frases “A mãe do fulaninho não trabalha, ele nem precisa estar aqui...”. Enquanto direito da criança esse iniciar/inserir parou de ser pensado como uma adaptação ( quando o termo significava normatizar, encaixar). Chegamos a um nível, em que entendemos que  quando inserimos um bebê, estamos também nos inserindo e  por esse motivo, o primeiro período da entrada do bebê e de suas famílias na EMEI Raio de Sol é planejado e pensado, sempre tendo como termômetro das ações e dos  horários  o próprio bebê. Assim exercitamos desde o primeiro contato a chamada “escuta sensível”, percebendo a criança através do choro e  do silêncio, aproveitando os primeiros dias para descobrir como dorme, como brinca, suas preferências, como e quando se alimenta e  aos poucos,  e em contato constante com os pais vamos inserindo também uma nova cultura dentro da família. Lembrando de bons hábitos alimentares, lembrando da importância do brincar com o bebê, reforçando o valor das experiências que são oportunizadas para essa criança.
           Acoplamos à nossa prática, leituras que discorrem sobre o primeiro ano da criança, estudos sobre as características da faixa etária, a relação com o outro e consigo mesmo, aprendemos sobre a constituição  do vínculo familiar que o bebê mantém ( Bowlby também chama de apego). Chegando nesse ponto avistamos a necessidade de também mantermos com qualidade um bom vínculo com as crianças, atentas no respeito ao ritmo de cada um.
           Com a experiência de anos anteriores, e com a idéia de continuar investindo no vínculo com a família, partimos no ano de 2012 pra uma inserção pautada ainda mais no compartilhamento de cuidados, firmando com os pais essa responsabilidade. Assim, os primeiros dias dos bebês na sala do Berçário 1 se dará juntamente com a mãe (ou pai). Nas nossas leituras, encontramos muitas certezas e nas palavras Elinor Goldschmied e Sonia Jackson fundamentamos nossa proposta.
 
                                                    
“É importante que ela pense com cuidado sobre o que  representa para a mãe observar outra pessoa segurar seu filho ou filha. Para a criança, é muito importante ter a  experiência de ver sua mãe (ou pai) e sua cuidadora em uma relação amigável e de confiança mútua.” ( 2006, p. 63)


            Em suma, e para um melhor entendimento, listamos pensamentos norteadores sobre esse processo:
*Entrevista individual com a família (tendo a frente a Orientadora Educacional da Escola)
*1ª Reunião de Pais (momento prazeroso, esclarecendo a proposta da escola, da turma do Berçário 1, apresentando as educadoras e compartilhando informações).
*Preparação da sala do Berçário, tornando-o um lugar agradável, com desafios planejados e adequados para o bebê.
*Nos primeiros dias cada bebê permanecerá 1 hora na sala, juntamente com um familiar, nesse momento as educadoras poderão saber mais sobre a criança e sobre a família.
*A mãe/pai estará dessa forma apresentando o espaço para o bebê, transmitindo tranqüilidade e também observando como se dará esse processo.
*As horas que  ficarão em sala, bem como a quantidade de crianças num  mesmo horário, aumentará aos poucos, tendo em vista o bem estar de todos.

            Dicas passadas para os pais:

*Demonstrar segurança
*Despedir-se da criança: “Mamãe vai, mas já volta”
*Objetos transacionais são  bem vindos (travesseiros, paninhos, bicos, ursinhos, etc)
*Conversar com a equipe de profissionais da escola sobre as angústias, dificuldades.

            Pensamos que o processo é esse, sem receitas prontas, fomentado  através de estudos, de sensibilidade e da prática adquirida no cuidado com os bebês.


REFERÊNCIAS:

FORTUNATI, Aldo. A educação Infantil como projeto da comunidade: crianças, educadores e pais nos novos serviços para a infância e a família: a experiência de San Miniato. Porto Alegre, Artmed, 2009.

GOLDSCHMIED, Elinor; JACKSON, Sonia. Educação de 0 a 3 anos: o  atendimento em creche. Porto Alegre: Artmed, 2006.

POST, Jacalyn; HOHMANN, Mary. Educação de  Bebês em Infantários: cuidados e primeiras aprendizagens. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2003. Tradução: Sara Bahia.

 

domingo, 20 de maio de 2012

FALANDO SOBRE BEBÊS


DO VENTRE, BRAÇOS, COLOS E BERÇOS À ESCOLA INFANTIL:        
O BEBÊ/CRIANÇA/ALUNO

“Enquanto for... um berço meu
Enquanto for... um terço meu
Serás vida... bem vinda
Serás viva... bem viva
Em mim.”

Trecho da música Realejo
O Teatro Mágico

            Confesso que ao me desafiar a escrever sobre o bebê antes da sua inserção num espaço de educação coletiva, fiquei por dias frente a uma página em branco. “Antes de escrever, eu olho assustado, para a página branca de susto”, e eu me apoiava nas palavras de Mário Quintana... De alguma forma deveria começar a escrever... Mas por onde?
Aos poucos, comecei a pensar o porquê desse susto frente a essa página em branca? Ora, há tanto tempo trabalhando com bebês, não conseguiria falar sobre eles? Mas daí o detalhe: falar do bebê antes da escola infantil... E daí outro detalhe, não sou mãe, logo  não tenho os sentimentos que uma gestação provoca... Nesse momento recorri a livros que (pelos títulos) uma mãe compraria. Foram esses livros que utilizei para compor essa escrita: Conversando sobre Bebês: do nascimento aos 3 anos e Seja Bem-vindo! Cartas a uma criança que vai nascer.
O primeiro livro foi escrito por Brigitte Thévenott e Aldo Naouri sua escolha se fez pelo seguinte sumário dividido em seis capítulos: Nascer, ser alimentado, ser carregado, ser banhado, brincar e falar. O segundo livro tem como autores María Novo, que escreve ficticiamente durante sua gestação para o filho que estaria esperando e Francesco Tonucci que além de introduzir o livro vai ao longo das cartas ilustrando de forma divertida os pensamentos desse bebê que está para chegar.
E com esses livros vou em busca, investigando, me instigando, novos olhares vão surgindo e aos poucos vou vendo alguns detalhes...

Nove longos meses durante os quais ele acumulou uma experiência considerável e que ainda era insuspeitada pela ciência, há apenas duas ou três décadas. Seu tempo no ventre de sua mãe não foi uma estada vegetativa, neutra ou passiva, dedicada somente à espera de sua vinda ao mundo aéreo. Sua estada foi fortemente formadora e armou-o e preparou-o perfeitamente para as etapas ulteriores de sua vida. [...] Sabe-se, em todo o caso, com uma grande certeza, que essa etapa programou-o, literalmente, no corpo de sua mãe. ( NAOURI, apud Thevénot e Naori, 2004, p. 42)

            E assim começo a discorrer sobre o bebê, o bebê que já está se formando enquanto criança “in utero” (THÉVENOT e NAOURI, 2004, p. 43). E sobre essa formação, assim como a citação acima, temos que lembrar que o recém nascido já nasce com os meses da vida intra-uterina, que mesmo no ventre ele começa a ser concebido como um ser inteiro. Sobre o seu nascimento temos variados  sentimentos, reações e considerações.
Podemos ver esse nascimento do bebê (já considerado um ser de direitos e de movimentos) como um grande encontro e após as palavras de Boris Cyrulnik (apud THÉVENOT e NAOURI, 2004, p. 43) podemos seguir mais um pouco nessa escrita.

Há, ao menos, mil maneiras de nascer, afirma ele. O dia do nascimento não marca o início da vida, mas simplesmente o dia em que se cai diante dos olhares dos outros, em que se recebe um nome, em que nosso sexo é reconhecido. A vida começa bem antes. A aparição do sentimento de pessoa se constrói lentamente. O bebê é imaginado antes de ser percebido, é falado antes de ser ouvido, pois nunca ouvi uma mulher grávida falar para seu bebê chamando-o de meu feto adorado.

         Antigamente, tinha-se a idéia de que o bebê ao nascer precisava de um período de maturação para melhor se desenvolver, era então, enrolado em mantas, ficando um perfeito pacotinho, para daí poder adquirir maior destreza e firmeza em seu pequeno corpo.  Só mudamos essa concepção ao percebermos que o bebê já no útero materno realiza muitos movimentos.
Nossos bebês (na sua maioria)  já nascem portadores de movimentos, culturas, nomes, e suas histórias começam bem antes de nascer...
      Mesmo que as concepções sobre gestação, nascimento, desenvolvimento infantil, estejam  mudando ao longo do tempo, o bebê continua sendo um objeto do nosso saber e poder. Somos nós, os adultos, quem o significamos. Nos aproveitamos da temporária dependência que o bebê possui nos primeiros anos de vida, para a nossa maneira o inserirmos em uma cultura. Conforme afirma Thévenot e Naouri (2004, p. 90)

Totalmente dependente de sua mãe que o alimenta, o troca, o lava, o faz dormir, conversa com ele, etc., é sempre de seu comportamento que vem a solução para a criança. Ela é, durante meses, sua “passarela” quase exclusiva com este novo universo.

            Do ventre da mãe para seus braços. O que carrega um bebê? Quem o carrega?
           É Winnicott (1988) quem nos fala da importância dessa díade. O bebê se recarrega nos olhos da mãe, seu primeiro espelho, se deixa manipular, gosta do toque, do contato físico. O bebê transformará a mãe e  a mãe será muito importante para o bebê. No seu colo, no seu corpo, pelas suas palavras o bebê estará se constituindo enquanto sujeito. Aproveitando as palavras de Thévenot e Naouri (2004, p. 88)

Ser carregada, para uma criança, é fabricar para si a consciência de seu corpo, a consciência do outro e o estoque de lembranças que permitirão a manutenção dessas consciências.

           As mesmas concepções que mudaram o modo de recebermos um recém nascido (não mais enrolá-lo em mantas!), trouxeram também outras idéias e artefatos... Por vezes (e ainda hoje), escutamos que não é bom para o bebê que seja muito pego no colo (???), pois precisa se acostumar a ficar só, já que a mãe não terá tempo somente para ele. Do mesmo modo escutamos que é o bebê quem tem que se adaptar aos pais, assim precisa aprender a dormir no barulho, a ser alimentado em determinados horários, entre outras coisas. 
            E já que segundo alguns, é melhor a criança não ficar no colo, começamos a falar do berço, o substituto dos braços e enlaços da mãe...Vamos adentrar nessa fala de uma maneira divertida, vendo o berço como um mito, algo até associável quando falamos em bebês. O quadro a seguir foi um exercício de escrita, anterior à essa monografia, mas que julgo ser bem pertinente para a continuação desse trabalho, dando vistas para seu objetivo principal.
            
O BERÇO

O berço: Um móvel ou uma palavra com o sentido de origem. Então no móvel a origem. Origem e ninho. Lugar de acalanto feito acalento. Lugar calmo, de proteção ao sono. Origem de um mundinho, um mundinho cercado, escolhido por alguém maior. Uma “gente grande” (CORAZZA, 2002) que de tão preocupada comprou a origem, digo o móvel, antes mesmo de ver quem nele iria ficar...
Ansiedade consumista, diferenciada, moderna. É a festa das lojas especializadas no tal berço. Que cor, que tamanho, qual função? Ah, sim um berço (aquele da origem!) não é mais um simples e modesto berço. Ele poderá ser o diferencial no quarto do infante (e assim mudará o futuro do ser pequeno colocado ali dentro...). Com rodinhas, mais estreito, mais largo, ele poderá futuramente virar uma cama ou um sofá, é quase uma peça decorativa (de suma importância!), um brinquedo (ver acessórios para berços) e eu diria que para muitos o berço constitui-se numa grande multifuncional! Por vezes, cabe em qualquer lugar!
O berço torna-se um cercado, quando o cercado não é um berço. Vira o móvel um lugar de controle? Dirão alguns: “não pegue muito o seu bebê no colo, ele tem que acostumar a ficar no berço”. E o berço vira um pequeno mundinho, tem espaço até para brincar! Aquele móvel acaba por representar conforto e segurança, quase como uma arquitetura de casa. Tudo o que ele precisar vai estar ali, por vezes e se tiver sorte “a gente grande” pode vir com suas paparicações.
E se ele for pra creche? Recanto dos berços! Um berço para cada bebê! Só saem dali quando precisam ter suas fraldas trocadas. Ah, mas os berços são pedagógicos! Tem móbiles de acordo com o projeto que os bebês irão desenvolver e figuras nas suas “paredes” internas (não falei que era quase uma casa?!).
 E pensando bem... E quando  o bebê não for mais para o berço?
Sair do berço não é fácil, até porque penso que inventaram extensores dos berços. Gravem esses nomes: Carrinhos de bebê e Bebê conforto... Argh... Um para fazer  pequenos passeios e o outro para passear de carro, mas quando todos descem do carro, o bebê conforto (irmão do berço) desce também... Atualmente sair do berço não mais significa ir para o colo quentinho, cheiroso e gostoso da mamãe, sair do colo significa ir para o lindo e prático carrinho ou para o versátil bebê conforto! O que mais poderíamos querer?
Mas há um momento único... Quando o ser pequeno cresce e fica tão grande que não cabe mais no berço. Opções? Quebrar o berço? Trocá-lo por uma cama...
Assim, ao longo dos primeiros anos é o berço o maior responsável pela preparação da criança para a vida adulta. Seus limites, seus movimentos, sua linguagem  são desenvolvidos num móvel controle, tão útil e escolhido por quem mais vai lhe amar na vida.
Fonte: Registro de acompanhamento da autora / 2011.


Começo a pensar de diversas formas, por tempo aproveitando, a mãe que não sou, me pego com as cartas de María Novo, leio o livro num dia... Quantos sentimentos existem nessa relação mãe/filho. A preocupação com o recém nascido, com as descobertas, com a criação de  detalhes sobre essa vida que chegará... E depois do ventre, colos, braços e berços, para onde levar esse bebê?
Novoa (2009, p. 12) lança a pergunta que ela e Tonucci julgavam como o principal ponto de reflexão do livro, “quanto vale o primeiro ano de vida de uma criança?” E já escrevendo para o João (bebê que estaria esperando), repassa as seguintes informações:

Francisco diz que, quando vocês são tirados desse microcosmo e são levados a outros lugares, o “mundo inteiro” de vocês se desorganiza, exceto se nesse outro lugar também houver um certo sossego e esteja presente a figura da mãe ou do pai, que lhes servirão de referência. Essa idéia me fez pensar de novo na creche, um lugar que, por melhor que seja, você não poderá “reconhecer” quando ainda tiver poucos meses.
Eu acreditava ingenuamente que, se o levasse, ainda cedo com outras crianças, em seguida você se tornaria mais sociável. Mas Francisco insistiu que essa sociabilidade, como tudo, surge pouco a pouco e tem seu ritmo, e que durante o primeiro ano você tem que fazer outras aprendizagens mais importantes, como a da segurança, a do afeto, que justamente lhe servirão depois para que se relacione com os demais.
           
            Esse blog, se constitui a partir das experiências que acontecem entre educadores e bebês num espaço de educação coletiva. Mas é válido deixar por último a idéia de como seria bom se todas as mães pudessem acompanhar com qualidade esse primeiro ano de vida de seus filhos. Na realidade, temos mães que precisam voltar ao mercado de trabalho após sua licença maternidade e mães que não se dedicariam tanto para seus filhos  (e daí adentramos nas culturas familiares...).
Para alguns a creche continua sendo vista como “o mal necessário” (VIEIRA, apud GOBATTO), mas para muitos ela servirá para retirar as crianças das “loucuras” de suas famílias.
 E desse ponto em diante passo a me perguntar o que o bebê irá encontrar na escola?
Sigo evocando a importância da professora de bebês, da potência das relações, do poder de convocar que os bebês possuem, primando por transformar a escola num local de respeito ao outro, onde se ofereçam experiências profundas e carregadas das multiplicidades das nossas infâncias.
___________________

*Texto que fez parte do primeiro capítulo do meu trabalho de conclusão em Especialização em Educação Infantil, com o título "Tempo de dar colo, tempo de decolar: os bebês, a professora e as experiências nas turmas de Berçário".
*Não esqueçam : AO COPIAR MANTENHAM OS CRÉDITOS!

No cotidiano com bebês

Todo dia é diferente!
E tem dias que o bom mesmo é correr lá pra rua, pegar um solzinho no pátio, ou como falamos aqui no Sul "lagartear um pouquinho", mas e a hora do lanche? E se tiver algum bebê dormindo? E se tiver vários bebês dormindo? O que fazer? Como fazer? 
Dia desses, cheguei na sala do Berçário1 as 13 horas e só haviam dois bebês acordados... Não tive dúvidas: fui para o pátio! Os outros precisavam dormir e quem estava acordado precisava enxergar novas coisas! Assim, enquanto uma educadora foi para o pátio a outra permaneceu na sala, zelando o sono dos bebês e organizando o ambiente para quando eles acordassem e para quando os outros voltassem do pátio.
Nessa oportunidade, muitas experiências:


Num dia lindo, engatinhar é preciso!
Ah, a grama! Quantas sensações!
Brincar e lanchar!
Que brinquedo escolher?
Desafios
...
Brincar num lugar diferente! Muito bom!
P.S: Esse foi um dia... Assim nosso cotidiano não se repete, havendo dias em que vamos todos para o pátio ou para outro espaço da escola e muitos dias em que ficamos na sala (ou por causa do tempo - frio, vento, chuva- ou por causa dos bebês -choros, "adaptações", ou outras eventualidades). Lembrar: O que vale é a QUALIDADE da experiência que estamos propondo.

domingo, 18 de março de 2012

E começam as rodas!


     Como é bom quando entendemos o que é importante na oferta de música para as crianças! A sonoridade, o ritmo, os instrumentos diferentes... Trocamos nosso repertório constantemente, por vezes fazemos uma seleção de músicas que eles preciksam ouvir nessa idade: música de letra fácil, músicas com barulhos com o corpo, músicas acumulativas, canções "misteriosas", que permitem brincadeiras, músicas com coreografias e música que é pura poesia! Bom demais!!!
     O resultado dessa oferta de qualidade e intencional é que quando colocamos música na sala rola uma festa, e todo dia é diferente. Tem dias que o que prevalece são as rodas, tem dias que o que gostam mesmo é de fazer coreografias e passinhos marcados e tem outro que o bom mesmo é parecer um show, com direito a gritinhos de uhuhuhuhuhu! rsrsrsrsrsrsrsr
     E seguimos a roda!

JOGO SIMBÓLICO / IMITAÇÃO


       Preciso escrever algo?!
       Fazendo o "nenê" dormir, com o mesmo cuidado que as professoras fazem!
    Tinha cenas de colocarem as bonecas no bebê conforto ou no colchonete, cantarem músicas e embalarem no colo.
      Momentos como esse, nos fazem ter a certeza da importância do nosso exemplo (assim como o da família) e da necessidade de sempre refletirmos sobre nossas atitudes e do que queremos que seja experiência para eles. Nós, aqui, estamos no cotidiano falando sobre esses movimentos, percebendo a criança no seu protagonismo, na importância dos movimentos dentro de sala e no ambiente escolar, no começo do jogo simbólico tão importante e tão rico para nossos pequenos. E vamos assim, vendo, ouvindo e "criando asas"...

"Deixa eu me lembrar de criar asas..."
(Fernando Anitelli)


segunda-feira, 12 de março de 2012

BOLINHOS DE AREIA



     Brincar com água e areia!
Fazer bolinho, colocar velinha e cantar "parabéns pra você". 
Pequeno jogo simbólico carregado de cultura, por vezes acabamos (nós adultos) esquecendo... E como essa brincadeira é importante... Não podemos torná-la "atividade", mas ações frequentes,  repetir mais e mais vezes.
Lembrar de quando vamos para o pátio é para de fato aproveitarmos, brincarmos! Então, "bora" fazer bolinhos, comidinhas, castelos, túneis...



domingo, 11 de março de 2012

B E X I G A S

     Uma brincadeira simples!
     Bexigas com água e um lindo gramado! Isso porque os bebês descobrem que a grama estoura facilmente as bexigas! É festa com certeza! Dificil é ver a cara deles quando as bexigas acabam!
     Temos algo inusitado (geralmente as bexigas não tem água!), trabalha peso, equilibrio, força, socialização, muita alegria, entre muitas outras coisas!
O que será que tem dentro do balde?
Uma bexiga na mão? O que dá pra fazer?

Testando...


Testando

Acabou?!