domingo, 17 de março de 2013


Pessoas!!!! Quantas saudades desse cantinho!!! Novamente volto, mas fortalecida, mais amadurecida, mais experiente e com mais EXPERIÊNCIAS!!! Justifico: No ano de 2012 assumi outro concurso de 30 horas na educação infantil do municipio onde moro (Sâo Leopoldo). A realidade de uma outra educação infantil não foi fácil e era na  Raio de Sol que respirava... Fiquei muito tempo pensando o que fazer com o blog... Acoplar minhas novas experiências??? Decidi que o Quero um Colinho vai continuar a falar somente das minhas experiências com os bebês e as crianças pequenas da Raio de Sol (Esteio). Novas experiências ainda serão contadas, mas com cuidado, com cautela,com uma narração própria... Uma nova aventura...
Nas próximas postagens vou recuperar as experiências do ano de 2012, mas vou começar por um achado, um texto justificando o período  de inserção dos bebês no ano de 2012... Vale a pena ler!!!
A INSERÇÃO DOS BEBÊS NA EMEI RAIO DE SOL
Por Marisete Schmidt


            Há tempos pensamos em como promover ações  de inserção de bebês dentro de um espaço de educação coletiva, assim, todos os anos vamos mudando os jeitos de manejo com os bebês e com suas famílias, melhorando as aproximações, primando por um ambiente de qualidade e garantindo o bem estar dos infantes.
           Parte desses pensamentos iniciaram ao percebermos/entendermos que esse espaço é direito da criança, parando com as célebres frases “A mãe do fulaninho não trabalha, ele nem precisa estar aqui...”. Enquanto direito da criança esse iniciar/inserir parou de ser pensado como uma adaptação ( quando o termo significava normatizar, encaixar). Chegamos a um nível, em que entendemos que  quando inserimos um bebê, estamos também nos inserindo e  por esse motivo, o primeiro período da entrada do bebê e de suas famílias na EMEI Raio de Sol é planejado e pensado, sempre tendo como termômetro das ações e dos  horários  o próprio bebê. Assim exercitamos desde o primeiro contato a chamada “escuta sensível”, percebendo a criança através do choro e  do silêncio, aproveitando os primeiros dias para descobrir como dorme, como brinca, suas preferências, como e quando se alimenta e  aos poucos,  e em contato constante com os pais vamos inserindo também uma nova cultura dentro da família. Lembrando de bons hábitos alimentares, lembrando da importância do brincar com o bebê, reforçando o valor das experiências que são oportunizadas para essa criança.
           Acoplamos à nossa prática, leituras que discorrem sobre o primeiro ano da criança, estudos sobre as características da faixa etária, a relação com o outro e consigo mesmo, aprendemos sobre a constituição  do vínculo familiar que o bebê mantém ( Bowlby também chama de apego). Chegando nesse ponto avistamos a necessidade de também mantermos com qualidade um bom vínculo com as crianças, atentas no respeito ao ritmo de cada um.
           Com a experiência de anos anteriores, e com a idéia de continuar investindo no vínculo com a família, partimos no ano de 2012 pra uma inserção pautada ainda mais no compartilhamento de cuidados, firmando com os pais essa responsabilidade. Assim, os primeiros dias dos bebês na sala do Berçário 1 se dará juntamente com a mãe (ou pai). Nas nossas leituras, encontramos muitas certezas e nas palavras Elinor Goldschmied e Sonia Jackson fundamentamos nossa proposta.
                                                    
“É importante que ela pense com cuidado sobre o que  representa para a mãe observar outra pessoa segurar seu filho ou filha. Para a criança, é muito importante ter a  experiência de ver sua mãe (ou pai) e sua cuidadora em uma relação amigável e de confiança mútua.” ( 2006, p. 63)


            Em suma, e para um melhor entendimento, listamos pensamentos norteadores sobre esse processo:
*Entrevista individual com a família (tendo a frente a Orientadora Educacional da Escola)
*1ª Reunião de Pais (momento prazeroso, esclarecendo a proposta da escola, da turma do Berçário 1, apresentando as educadoras e compartilhando informações).
*Preparação da sala do Berçário, tornando-o um lugar agradável, com desafios planejados e adequados para o bebê.
*Nos primeiros dias cada bebê permanecerá 1 hora na sala, juntamente com um familiar, nesse momento as educadoras poderão saber mais sobre a criança e sobre a família.
*A mãe/pai estará dessa forma apresentando o espaço para o bebê, transmitindo tranqüilidade e também observando como se dará esse processo.
*As horas que  ficarão em sala, bem como a quantidade de crianças num  mesmo horário, aumentará aos poucos, tendo em vista o bem estar de todos.

            Dicas passadas para os pais:

*Demonstrar segurança
*Despedir-se da criança: “Mamãe vai, mas já volta”
*Objetos transicionais são  bem vindos (travesseiros, paninhos, bicos, ursinhos, etc)
*Conversar com a equipe de profissionais da escola sobre as angústias, dificuldades.

            Pensamos que o processo é esse, sem receitas prontas, fomentado  através de estudos, de sensibilidade e da prática adquirida no cuidado com os bebês.


REFERÊNCIAS:

FORTUNATI, Aldo. A educação Infantil como projeto da comunidade: crianças, educadores e pais nos novos serviços para a infância e a família: a experiência de San Miniato. Porto Alegre, Artmed, 2009.

GOLDSCHMIED, Elinor; JACKSON, Sonia. Educação de 0 a 3 anos: o  atendimento em creche. Porto Alegre: Artmed, 2006.

POST, Jacalyn; HOHMANN, Mary. Educação de  Bebês em Infantários: cuidados e primeiras aprendizagens. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2003. Tradução: Sara Bahia.

2 comentários:

Lisa de Carli disse...

Quanta inspiração e DEDICAÇÃO dessas educadoras exemplares!
Conheço pessoalmente somente a professora e Pedagoga Marisete, sei que pelo trabalho que ela já desenvolve, é impossível esperar menos que uma prática fundamentada e reflexiva!
Como diz o TM "Palavra, simples como qualquer palavra Que eu já não precise falar" (Palavra)
Eu tentei escolher as palavras mais bonitas, mas os registram falam por nós!
PARABÉNS!
bjos Andrelisa

vitinho duarte disse...

Colega,que belo trabalho desenvolveste e ainda o fará.Parabéns pois você é peça fundamental na aprendizagem dessas crianças.
bjs luciana